Associação das Vítimas vai fazer história no país

O Presidente da República afirmou hoje que a Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG) “vai fazer história no país”, por ser uma instituição que não fica presa à memória e que se vira para o futuro.

Na inauguração da sede da AVIPG, situada numa antiga escola primária da aldeia da Figueira, Marcelo Rebelo de Sousa vincou que a associação “fez história, faz história e vai fazer história neste país”, considerando que acompanhar o percurso daquela instituição é também “compreender um pouco a história” dos últimos seis meses.

Para o Presidente da República, a associação apresenta um conceito que “é muito novo” em Portugal, assumindo três dimensões: a memória, o futuro e o desenvolvimento económico, social e cultural do território.

Chegou o tempo de ação e de mudança

A presidente da Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG), Nádia Piazza, afirmou hoje que chegou o tempo de ação e o tempo de mudança de fundo no território afetado pelo grande fogo de junho.

A sede da AVIPG foi hoje inaugurada na presença de Marcelo Rebelo de Sousa e Nádia Piazza aproveitou o momento não apenas para agradecer às instituições, empresas e pessoas que ajudaram nos últimos seis meses mas para reclamar mudança e ação.

“As políticas públicas foram anunciadas e o compromisso está escrito e tomamo-lo como sério”, disse a presidente da AVIPG, durante o discurso de inauguração da sede, que ocupa uma antiga escola primária da pequena aldeia da Figueira, no concelho de Pedrógão Grande.

Para Nádia Piazza, “chegou o tempo de ação, o tempo da concretização de medidas geradoras de impacto e de mudanças de fundo no território e no futuro das populações”.

“Chegou o tempo da mudança e todos nós somos mudança”, vincou a responsável.

Durante o discurso, não faltaram palavras de agradecimento para diversas instituições e pessoas, com um enfoque especial no Presidente da República, que ouvia o discurso.

Nádia Piazza agradeceu a “presença constante” do chefe de Estado e o facto de ter mantido “a memória acesa de toda uma nação” em relação à tragédia de junho.

“A sua persistência e retidão fizeram acontecer o impensável”, notou, considerando que, “num tempo onde impera o individualismo”, a solidariedade emergiu, através do “exemplo de entrega e abnegação” de Marcelo Rebelo de Sousa.

Emocionada, a presidente da AVIPG agradeceu ao Presidente da República “por ser o guardião do tempo, do tempo presente, para que perdurasse na memória de todos e no coração de muitos como uma chama que não se pode calar”.

“Não se pode calar a dor de uma perda tão atroz. Não se pode calar a perda de famílias inteiras para o caos e a incompetência dos homens. Não se pode calar a voz perante a corrupção instalada e que mina toda a uma sociedade que poderia ser muito mais inclusiva, justa e igualitária em oportunidades. A si dedicamos essa causa, a si dedicamos esta casa [a sede da associação], a casa dos bravos, a casa dos livres, a casa de todos nós”, sublinhou.

Para Nádia Piazza, de uma “singela escola, far-se-á um futuro diferente”.

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