“Os valores obtidos excedem os valores recomendados”, pode ler-se no relatório do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

As amostras de areia foram recolhidas no dia 6 de agosto pela associação ambiental Azulinvade e enviadas para aquele instituto, em Lisboa.

A Azulinvade está, há cerca de um ano, a alertar as autoridades para a possibilidade de a praia estar contaminada.

De acordo com o relatório, os valores das bactérias coliformes, da bactéria Escherichia Coli e de enterecocos intestinais estão acima dos 201 por grama, quando os valores máximos admissíveis são de 100 por grama, no caso das bactéricas coliformes, e de 20 por grama no caso das restantes.

Desde julho de 2018 que a associação ambiental Azulinvade denuncia nas redes sociais e junto das autoridades competentes a existência de descargas de esgotos sem tratamento para o mar em Angra do Heroísmo, numa zona a cerca de um quilómetro da zona balnear.

O município de Angra do Heroísmo já admitiu que efetua descargas de emergência quando a chuva é mais intensa, porque a estação elevatória existente no centro da cidade tem uma capacidade reduzida, mas, segundo o presidente da Azulinvade, João Medeiros, nunca foi hasteada a bandeira vermelha por prevenção na sequência dessas descargas.

“Nunca a bandeira vermelha esteve na Prainha içada por causa das descargas. Esteve uma vez por causa de um tubarão e esteve este ano uma vez por causa das caravelas”, afirmou, em declarações à Lusa.

Segundo João Medeiros, a associação não coloca em causa a necessidade de se efetuarem descargas, mas a falta de medidas de prevenção que evitem que a população esteja sujeita a problemas de saúde.

“Nós sabemos que aquele problema é estrutural, é dos nossos esgotos que estão mal feitos. Ninguém está contra que o sumidouro descarregue para o mar. Se deveria ter lá uma caixa de contenção de sólidos para não irem todas as porcarias para o mar, isso é outra questão, mas que tem de correr para o mar tem, senão havia uma inundação na cidade de Angra”, avançou.

Segundo João Medeiros, desde o início desta época balnear, a 15 de junho, a associação ambiental já contou quatro descargas de esgotos e alertou de todas as vezes as autoridades, mas “ninguém fez absolutamente nada”.

“Claro que, quando as análises são feitas, 15 dias depois ou 15 dias antes, a coluna de água lava-se a ela própria, mas toda essa matéria orgânica fica incorporada na areia”, afirmou.

Face à falta de respostas, a associação recolheu amostras de areia na zona mais afastada do mar da Prainha, no dia 6 de agosto, e enviou para o Instituto Ricardo Jorge.

“Chegámos aqui a um impasse. As autoridades não assumem o problema que está ali. Com esta polémica tão grande, no mínimo, as autoridades têm de fazer análises e meter as análises cá fora”, apontou João Medeiros.

O presidente da associação disse ter enviado o relatório das análises para o município de Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Saúde, Inspeção Regional da Saúde, Direção Regional dos Assuntos do Mar, capitania do Porto da Praia da Vitória, Polícia Marítima e para o diretor regional do Ambiente, sem que alguma entidade tenha respondido.

A Azulinvade já apresentou, este ano, queixas no Ministério Público contra a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e o Delegado de Saúde de Angra do Heroísmo e admite apresentar agora contra a Polícia Marítima por “inação”.

O presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e o diretor regional da Saúde fizeram saber que irão reagir, esta tarde, numa conferência de imprensa conjunta.

A Prainha foi galardoada com a bandeira azul 19 vezes nos 32 anos do programa, incluindo no período entre 2014 e 2018, mas, este ano, o município optou por não candidatar a zona balnear à bandeira azul.