“Acho que há demasiado ruído à volta desta questão”, disse o antigo responsável do IMAR depois de na sexta-feira se ter reunido com o presidente da Câmara Municipal da Horta, na ilha do Faial, recordando que o próprio reitor da Universidade dos Açores, João Luís Gaspar, já declarou publicamente que “não está em questão o encerramento do IMAR”.

Na opinião de Ricardo Serrão Santos, é necessário “reestruturar” o instituto de investigação marinha – criado por várias universidades portuguesas e estrangeiras, e com sede na Horta -, até porque existem “sócios dormentes”, que não estarão a ser uma mais-valia para o projeto.

“Julgo que podíamos encontrar uma forma de reformular a estrutura do IMAR e aproveitar o que ele tem de boas capacidades para se avançar nessa reestruturação”, insistiu o eurodeputado socialista, ressalvando, porém, que essa será sempre uma competência da Universidade dos Açores e dos restantes sócios do IMAR.

Ricardo Serrão Santos, que reside no concelho da Horta, disse ter abordado também na reunião de sexta-feira com o presidente do município, o socialista José Leonardo Silva, matérias relacionadas com o financiamento europeu de obras em infraestruturas, como o aeroporto e o porto da Horta.

No caso da eventual ampliação da pista do Aeroporto da Horta (obra reivindicada pelas forças locais), o eurodeputado lamenta que não se tenham aproveitado os “fundos Juncker” para financiar essa intervenção no mandato do anterior Governo da República (PSD/CDS).

“Houve uma oportunidade que quanto a mim foi francamente desperdiçada, quando abriram os fundos Juncker, para investimentos estratégicos em infraestruturas, na altura do Governo de Passos Coelho”, recordou Serrão Santos, lembrando que na altura “não houve mobilização nenhuma” em torno desta questão.

Apesar de entender que ainda é possível “encontrar vias” e “mobilizar fundos” para este investimento, o deputado socialista ao Parlamento Europeu destacou que a ampliação da pista do Aeroporto da Horta teria de ser realizada pela VINCI, a empresa que ficou com a exploração dos aeroportos portugueses geridos pela ANA, entre os quais se encontra o da Horta.

Ricardo Serrão Santos falou também da reestruturação prevista pelo Governo dos Açores no interior do porto da Horta (cujo projeto foi alvo de críticas por parte da Comissão Municipal dos Assuntos do Mar), considerando que o apelo do município para que a obra não provoque mais agitação marítima na marina da Horta foi a decisão “correta”.

“Erros no planeamento e de execução de um porto ficam sempre muito mais caros de corrigir do que o custo do próprio porto”, advertiu.