Aníbal Pires: Os sonhos não se aprisionam

Quantas vezes lhe predestinaram o fim, Não sei, mas foram tantas e tantas que acabei por lhes perder o conto. Não se extinguiu porque subsistem as razões pelas quais foi criado e não abdicou, nem abdica dos princípios que lhe conferem uma natureza diferente, é um partido revolucionário que luta pelo povo e com o povo.

Não sucumbiu durante a ditadura, nem se vergou perante o terrorismo bombista e incendiário, como não se curva perante as opiniões e pressões que, ciclicamente, lhe querem ditar a extinção e assinar o óbito.

Não vale a pena insistir. Os 97 anos da sua existência ensinam-nos que o seu compromisso é com o futuro. E este é um compromisso inquebrantável. Os sonhos não se aprisionam, os comunistas portugueses têm um sonho e o sonho tem Partido.

O Partido Comunista Português(PCP) celebra este ano o seu 97.º aniversário da sua existência. Mas mais do que olhar para o passado, que não deve nem pode ser esquecido, o PCP é um Partido do presente com um projeto de futuro.

O papel do PCP na atualidade política nacional, por mais que se pretenda diminuir, tem sido e continuará a ser o garante da defesa dos trabalhadores e do povo português, foi com a iniciativa e o contributo do PCP que se abriu caminho a uma solução governativa que colocou um ponto final na continuidade das políticas com que o PSD e o CDS/PP delapidaram o país, desvalorizaram os trabalhadores e abandonaram o nosso povo à sua sorte. Foi com o contributo e a iniciativa do PCP, não tenhamos ilusões por mais ilusionistas que por aí pululem, que se deu início ao processo de reposição direitos e rendimentos, com os efeitos, diretos e indiretos, que são comprovados pela melhoria dos indicadores sociais e económicos que, apesar dos esforços da direita para os menorizar, são reconhecidos interna e externamente.

A capacidade de intervenção e a influência do PCP não dependem só da sua representação institucional, mas sem maiorias absolutas, em 2019, e com o reforço da sua votação e do número de deputados eleitos maior será a sua influência e capacidade de contribuir para as soluções políticas que o país necessita para se libertar das pressões externas e dos oligopólios financeiros que dominam e influenciam a política da União Europeia.

O PCP confia e os portugueses sabem e confiam que este Partido não lhes falta na vanguarda das lutas do presente sempre com os olhos postos no futuro. Um futuro que permita construir uma política patriótica e de esquerda que devolva a Portugal a sua soberania, e ao seu povo a dignidade.

O PCP mantém-se fiel aos seus princípios ideológicos, só o desconhecimento e a má fé podem dar sustentação aos epítetos de sectário e dogmático pois, é a própria matriz ideológica que lhe confere a natureza e identidade que o contraria, ou seja, os comunistas não querem antecipar dogmaticamente o mundo, mas encontrar, a partir da análise deste mundo velho, o mundo novo.

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