Passam 17 anos sobre os atentados de Nova Iorque e 45 anos sobre o golpe de Pinochet no Chile e a comunicação social traz, naturalmente, para a memória coletiva estes acontecimentos que chocaram o Mundo. Se atentarmos bem verificamos que uma das datas é preterida em favor da outra. Sim, são os critérios editoriais. Eu diria que sim, São os critérios editorias que melhor se adequam a interesses espúrios e que pouco têm a ver com o rigor e a história.

Por um lado, branqueia-se um golpe fascista apoiado e financiado pelos Estados Unidos do qual não só resultou a morte do Presidente de um governo eleito democraticamente, mas que fez nos dias e meses que se lhe seguiram mais de 3 dezenas de milhares de mortos entre o povo chileno. Ao que nos é dado constatar esta não é a efeméride que merece a atenção da comunicação social do “mainstream”. Se os cidadãos pretenderem obter alguma informação sobre o 11 de Setembro de 1973 no Chile terão de procurar nos canais de informação do “underground”. O que para os cidadãos menos atentos acaba por ser incompreensível pois, trata-se, quer num caso quer no outro, da nossa história recente. E é legítimo perguntar que raio de critérios editoriais são este que promovem um e escondem outro ato de terror. Sim porque, quer num caso quer noutro foi de terrorismo que se tratou.

Admito que o atentado de Nova Iorque, a 11 de Setembro de 2001, pelas imagens disponíveis, foi transmitido em direto pelas televisões de todo o Mundo, pela proximidade cronológica, mas, sobretudo pelo mediatismo que tem tido, e tem, esteja mais vivo na retina dos cidadãos, o que não justifica que a memória da barbárie que se abateu sobre o povo chileno seja remetida para o esquecimento ou, para as notas de roda pé.

Mas em nome do rigor, uma vez que quanto à história não se compreendem os tais critérios editoriais. Quanto ao rigor as notícias de hoje (ontem) que se referem ao 11 de Setembro de 2001 também deixam muito a desejar. Conhecidos que são inúmeros relatórios e estudos, sobre alguns dos aspetos dos atentados, que contrariam a versão oficial construída nos dias que se seguiram aos atentados a comunicação social, alinhada com a corrente dominante, continua a reproduzir como verdades insofismáveis alguns aspetos que, comprovadamente, ou não aconteceram de todo, ou que não foram responsáveis por alguns dos efeitos que se registaram ao longo desse famigerado dia. Mas eles insistem.

Insistem que as Twin Towers ruíram devido ao embate dos aviões, insistem que o “ataque” ao Pentágono foi perpetrado por um avião comercial, quando todas as evidências e estudos comprovam que não foi assim. E quanto ao hipotético avião que caiu na Pensilvânia e que supostamente se dirigia para a Casa Branca existem muitas dúvidas sobre a veracidade desse evento, até porque a zona de impacto não apresenta os sinais característicos da queda de um avião comercial.

Os dois acontecimentos a que me tenho vindo a referir tiveram desenvolvimentos que afetaram e afetam o Mundo. O golpe de Pinochet, com o apoio dos Estados Unidos, criou condições para a criação de um espaço experimental de algumas teses económicas que mais tarde, com as necessárias adaptações foram importadas pelos Estados Unidos e pela a Europa, neste caso para pela mão de Margareth Tatcher e com efeitos diretos e imediatos na Inglaterra. Mais tarde, ainda que sob uma outra vestimenta essas teses foram sendo generalizadas por toda a União Europeia com os efeitos conhecidos que o endeusamento do mercado provocou.

O 11 de Setembro de 2001 serviu para justificar a invasão do Afeganistão e do Iraque, para além de outros episódios de ingerência em estados soberanos, e a instalação de um clima de terror que não está confinado a esses territórios. O histórico de atentados terroristas, tendo como autores grupos fundamentalistas, um pouco por todo o Mundo é longo e conhecido de todos.

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