Aníbal Pires: Notícias vindas de fora

O dia está luminoso, a temperatura amena, uma brisa suave sopra do quadrante Sul e o mar reflete um tranquilo azul. Ninguém diria que ainda estamos no Inverno, mas amanhã é bem possível que o cenário deste dia idílico se transforme e, a chuva, o vento e o frio venham acinzentar o dia e a vida. Eu gosto dos dias assim. Sim, dos dias cinzentos de brumas e dos dias plenos de luz a refletir o azul tranquilo do mar e do céu e, a exibir uma luxuriante abundância de verdes a escoarem-se pelas encostas escarpadas sobranceiras às fajãs ou, a trepar pelas vertentes dos picos e caldeiras onde repousam antigos vulcões e lendas submersas nas águas das lagoas.

A contemplação do naturalmente belo é um lenitivo para a alma, mas nem só destas mercês são feitos os dias, nem eu me posso dar ao luxo de ficar a usufruir dos dias assim, sejam plenos de luz ou de neblinas a entrar pela soleira da porta.

Bem que gostava de fazer do meu tempo aquilo que me der na real gana, mas não posso. Alguém, num tempo não muito longínquo, se encarregou de me subtrair um direito que constava no clausulado do meu contrato de trabalho como servidor público. Afinal o Estado não é uma pessoa de bem. O Estado pela mão de quem o tem representado alterou as regras e não me perguntou se eu estava de acordo, e eu não estava, Nem estou. E por não estar continuo disponível para lutar pelo que me foi furtado, disponível como sempre estive para travar outros combates pela dignidade e valorização da carreira docente, disponível como sempre estive para lutar pela dignidade e valorização de quem trabalha.

Chegam boas notícias de França, idade da reforma foi reposta nos 60 anos de idade. Que dirão os indefetíveis defensores do projeto europeu, na França sim, em Portugal nem por isso. E eu diria que não são indefetíveis, São subservientes, vivem de cócoras e com a mão estendida.

Boas notícias, não há muito tempo, chegaram da Alemanha. Os trabalhadores da indústria conquistaram aumentos de 4,3% e uma redução no seu horário de trabalho. Não, não foi para 35 horas, foi para 28 horas semanais, mas na Auto Europa o patrão alemão não quer saber e tem por cá fieis aliados dispostos a vender, por baixo custo, os trabalhadores portugueses daquela empresa alemã.

A valorização dos salários, a redução dos horários de trabalho e a antecipação da idade da reforma para os 60 anos têm, inequivocamente, efeitos positivos na economia e no bem-estar social, desde logo no rejuvenescimento da população ativa, na diminuição do desemprego e no aumento do consumo.

Em Portugal as insípidas medidas que foram implementadas depois de 2015, reposição parcial de direitos e rendimentos, foram suficientes para que o desemprego diminuísse significativamente e que o crescimento económico atingisse valores impensáveis há algum tempo atrás, ainda assim há quem sonhe com o passado recente nem que seja sob a forma de um tal bloco central.

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