“Se o que estiver em cima da mesa for o Partido Socialista estar à beira de conseguir o Governo Regional da Madeira ou até, nas autárquicas, de estar à beira de conseguir maiorias em alguns municípios, eu diria que podemos ter aqui entendimentos semelhantes ao que já tivemos no Governo Regional dos Açores”, afirmou.

André Ventura fez estas declarações após uma reunião com o social-democrata Miguel Albuquerque, que lidera o executivo de coligação PSD/CDS-PP, na Quinta Vigia, sede da Presidência do Governo da Madeira, no Funchal.

O líder do Chega referiu que o partido pretende concorrer sozinho nas eleições autárquicas de 2021 em todos os concelhos da região autónoma, mas sublinhou que o “grande objetivo” é impedir o Partido Socialista de “renovar ou alcançar maiorias”, pelo que admite “entendimentos” com o PSD.

“Não podemos falar em nenhum acordo, porque vamos concorrer sozinhos, mas há aqui boas perspetivas de um entendimento político que permita que o Partido Socialista não alcance a governação autárquica”, disse.

Na Região Autónoma da Madeira, o PSD governa três câmaras municipais e o PS quatro, incluindo o Funchal, em coligação com BE, PDR e Nós, Cidadãos!, num total de 11 municípios.

André Ventura realçou que Miguel Albuquerque é o dirigente do PSD com funções executivas que “melhor relação” tem com o Chega, vincado que isto estabelece uma “boa previsão para a cooperação política”.

“Expressámos ao presidente do Governo Regional da Madeira nossa preocupação com alguma hostilidade do parlamento nacional em relação a propostas que prejudicam a Região Autónoma da Madeira, como é o caso das finanças regionais, como é o caso da facilitação burocrática em áreas como a da exploração da área marítima, como é o caso do Centro [internacional] de Negócios da Madeira”, disse.

O líder e deputado único do Chega assegurou que vai apoiar todas propostas oriundas do executivo madeirense e da estrutura regional do partido submetidas à Assembleia da República, nomadamente ao nível da proteção do Centro Internacional de Negócios (Zona Franca), da revisão da lei das finanças regionais e da promoção da autonomia a fiscal.

André Ventura disse, por outro lado, que as medidas de combate à pandemia de covid-19 adotadas na Madeira são um exemplo para o país.

“O que temos aqui, na Madeira, em muitos aspetos, é um exemplo que o Governo nacional devia seguir”, afirmou, reforçando: “Conseguimos, na Madeira, ter algo razoável, que, aliás, está a acontecer em muitos países europeus, como Espanha e Itália, que é ter a economia aberta durante um tempo, com regras, com controlo, com máscara, sem destruir tudo, sem fechar tudo.”

Na deslocação à região autónoma, André Ventura reuniu-se hoje com o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, o centrista José Manuel Rodrigues, e visitou o Comando Regional da Polícia de Segurança Pública. No sábado, participa num encontro com militantes do partido, em Santa Cruz, na zona leste da ilha.

Nas eleições presidenciais de janeiro, André Ventura ficou em segundo lugar na Região Autónoma da Madeira, obtendo 9,95% dos votos, logo a seguir a Marcelo Rebelo de Sousa, com 72,16%.