“O que tinha sido definido como aumentos de 30% não passava, afinal, de uma atualização do salário mínimo”, afirmou o líder da bancada socialista na Assembleia Legislativa dos Açores, André Bradford.

O socialista falava aos jornalistas no final de uma reunião, em Ponta Delgada, com o Sindicato dos Profissionais de Escritório, Comércio, Indústria, Turismo, Serviços e Correlativos da Região Autónoma dos Açores (SINDESCOM).

André Bradford lamentou que a UGT/Açores tivesse anunciado “no balanço do ano que faz, que tinha chegado a acordo, através de um dos seus sindicatos, com a Câmara do Comércio para uma atualização da tabela salarial e do acordo coletivo na área do turismo” e tenha afirmado “explicitamente, em público, que a nova tabela comportava aumentos de 30%”.

Porém, “na prática, os trabalhadores do setor não vão receber mais 30%, nem mais 10%, nem mais 7%, nem mais 5%, em alguns casos vão receber exatamente o mesmo que já recebiam”, destacou o parlamentar.

Os socialistas expressaram ainda preocupação com a questão das diuturnidades, que se mantêm “exatamente com a mesma formulação neste acordo”, e com a “indicação de que iria ser pedida uma extensão deste acordo para os restantes trabalhadores do setor que não são associados deste sindicato”.

O PS/Açores considera que o documento “não salvaguarda os interesses dos trabalhadores”, já que a tabela salarial negociada “ainda não é a adequada a um setor que cresce” a um ritmo grande.

“Há, de facto, um problema grande quando um setor passa a gerar o dobro dos rendimentos que gerava e os trabalhadores não conseguem fazer um acordo com os patrões desse setor”, afirmou André Bradford.

O socialista explicou que as negociações do acordo coletivo de trabalho para o setor do turismo estavam a ser travadas entre a Câmara do Comércio e Indústria dos Açores e outra unidade sindical e que já se arrastavam há dois anos, tendo o SINDESCOM conseguido este acordo, que consideram “dececionante para os trabalhadores do setor”, no espaço de um mês.