Ampliação de jardim no Faial permite aumentar capacidade de recuperação de espécies

A ampliação em curso do jardim botânico do Faial irá permitir “mais do que duplicar” a capacidade de recuperação das espécies da flora dos Açores, segundo disse à agência Lusa o diretor regional do Ambiente, Hernâni Jorge.

“Trata-se de um investimento importante, que vai permitir mais do que duplicar a capacidade de recuperação ex-situ [fora do lugar de origem] das espécies de flora dos Açores e contempla um aumento das áreas de estufa”, declarou.

O diretor regional sublinhou ainda que as obras, orçadas em 230 mil euros, irão contemplar a “construção de um armazém de apoio às atividades dos viveiros”.

“Este incremento da capacidade dos viveiros do jardim botânico do Faial é essencial para termos sucesso nas políticas de conservação de espécies e habitats que desenvolvemos regularmente”, afirmou.

Hernâni Jorge visitou os trabalhos de ampliação dos viveiros do jardim botânico do Faial e o banco de sementes dos Açores também naquela ilha, para evocar o Dia Mundial da Biodiversidade, que se celebra hoje.

“O banco de sementes é o que costumo designar a arca de Noé da flora açoriana. Temos lá conservadas 15 milhões de sementes”, destacou.

Segundo o diretor regional, no banco de sementes dos Açores estão conservadas 90% das espécies endémicas dos Açores (53), faltando apenas cinco espécies para a taxa chegar aos 100%.

Hernâni Jorge referiu que até ao final do ano irão ter “as 58 unidades endémicas dos Açores conservadas no banco de sementes” da região.

O responsável referiu que estes investimentos enquadram-se na política do Governo que pretende dar resposta à “luta para a preservação da biodiversidade e contra a redução das espécies”.

“Nas últimas décadas, a biodiversidade biológica tem sofrido perdas significativas. A perda de biodiversidade é hoje, a par das alterações climáticas, talvez os dois maiores problemas que a humanidade se depara”, afirmou.

Considerando a biodiversidade dos Açores como “invejável à escala global”, o diretor regional do Ambiente assinalou que as ameaças à biodiversidade são “incrementadas” num território “disperso e limitado” como os Açores.

Contudo, Hernâni Jorge referiu que os açorianos conseguiram construir “modelos de vida sustentáveis” ao longo dos séculos.

“Hoje, como no passado, estou em crer que os açorianos têm uma forte ligação à terra e à natureza e essa ligação aumenta a sua consciência relativamente ao valor do património natural e, por isso, estão bem despertos para a necessidade da proteção da biodiversidade”, concluiu.