O responsável pela Amigos dos Açores, Diogo Caetano, aponta que é referido, também nas Orientações de Médio Prazo 2021-2024, que “em matéria de gestão de resíduos perspetiva-se trilhar um caminho que permita dar resposta aos novos desafios europeus em termos da implementação de uma economia verde e circular”.

Acresce o “cumprimento das metas de valorização e reciclagem, da promoção da recolha seletiva de biorresíduos e do combate à utilização dos produtos de uso único”.

Em nota enviada à agência Lusa, o ambientalista considera que “face ao apoio do projeto da central de valorização de resíduos em São Miguel, através da disponibilização dos serviços técnicos regionais referidos no Plano para 2021, se manifesta um contrassenso, uma vez que a aposta na tecnologia da incineração se encontra manifestamente em contraciclo com as políticas da economia circular”.

A posição da associação ecológica consta do seu parecer sobre a proposta de Plano e Orçamento de 2021 do executivo açoriano, enviada ao Conselho Económico e Social dos Açores.

Diogo Caetano salvaguarda que “a União Europeia já excluiu apoios financeiros à construção de novas unidades desta tipologia no próximo quadro comunitário”.

“Julga-se, por situações como as apresentadas, que estamos perante a manutenção das políticas de promoção não sustentada que várias vezes alertamos em períodos anteriores, uma vez que se tenta projetar uma região de forte matriz ecológica adotando políticas do tipo ‘business as usual'”, afirma o dirigente da Amigos dos Açores.

A associação ecológica integra o Movimento Salvar a Ilha, que terça-feira pediu a “suspensão imediata do projeto de incineração da MUSAMI”, bem como a “realização urgente de uma reunião” entre o Governo dos Açores, a MUSAMI, a TERAMB e as associações ambientalistas Amigos dos Açores, ARTAC, Quercus – Núcleo de São Miguel e ZERO para debater a implementação das soluções propostas pelo movimento.

O contrato entre a italiana Termomeccanica e a MUSAMI para a construção de uma incineradora na ilha já foi assinado, apesar das contestações judiciais.

Trata-se de um investimento de quase 58 milhões de euros que foi firmado em 25 de fevereiro e publicado na terça-feira.