Alonso Miguel: Férias em tempo de pandemia!?

Em todo o mundo vivem-se tempos difíceis, marcados pelo receio e pela incerteza em relação à evolução e aos impactos do novo Coronavírus. Em Portugal, por agora, os números não são tão dramáticos como em outros países, por exemplo,Itália ou Espanha. No entanto, as 119 vítimas mortais, os cerca de 6 mil casos de infetados confirmados e os mais de 38 mil casos suspeitosde infeção são já números suficientemente expressivos para ameaçar o funcionamento do nosso Sistema Nacional de Saúde.Nos Açores, por esta altura, existem já 42 pessoas com a doença COVID-19, outros tantos casos suspeitos e mais de 2 mil pessoas em vigilância ativa, ainda que, felizmente, semregisto de vítimas mortais.

No País e na Regiãotem sido feito um trabalho assinalável no combate a esta epidemia, sobretudo atendendo aos escassos meios e recursos à nossa disposição. Os órgãos de soberania e os órgãos de governo próprio têm demonstrado empenho e sentido de responsabilidade nesta luta e ainda bem. É tempo de união. Não há, de momento, espaço para a luta político-partidária e muito menos para o aproveitamento político. O inimigo é apenas um, o Coronavírus. É tempo de o enfrentarmos, todos juntos, com determinação e esperança.

Cabe a todas as forças políticas e a todos os que de alguma forma representam o povo encontrar soluções e apresentar propostas que possam, de forma responsável, contribuir para mitigar os impactos deste vírus. O CDS tem-no feito com um vasto conjunto de propostas, algumas delas de grande importância para os Açores, como por exemplo a proposta apresentada em articulação com o CDS Açores para suspensão excecional das regras do equilíbrio orçamental das Regiões Autónomas, definidas na Lei das Finanças Regionais, visandopermitir a implementação de mais medidas de apoio às empresas e às famílias Açorianas.

O estado de emergência decretado no País, conjuntamente com as medidas de restrição aplicadas na Região,temtido impactos significativos na vida dos Açorianos. Acatar as recomendações e respeitar as restrições implica que muitos Açorianos dolorosamente vejam os seus negócios estagnados, os seus rendimentos reduzidos, a sua liberdade limitada e a sua mobilidade diminuída. Significa também a impossibilidade de ter uma vida socialnormal e obriga a que nos adaptemos a novas condutas, a novos regimes de trabalho e ao confinamento prolongadoem nossas casas.

De modo geral, os Açorianos têm sabidorespeitar responsavelmente estas condições. Ainda assim,perante este preocupante cenário, segundo o Diretor Regional da Saúde, Tiago Lopes, continuam a chegar à Autoridade Regional de Saúde,com o maior “desplante”, pedidos de autorização de Açorianos para viajar inter-ilhas, nos voos de carga operados pela SATA, de forma a (imagine-se bem!) poderem prosseguir com as suas férias.

Férias, em tempo de pandemia!?Para além de esta pretensãoser completamente descabida e irresponsável, revela, sobretudo, um profundo desrespeito. Desrespeito pela saúde dos outros epelo esforço coletivo de todos em manter-se em casa,tanto quanto possível,para evitar mais contágios. Desrespeito pelo trabalho realizado pelas autoridades e entidades públicas no combate a este vírus. Desrespeito pelos sacrifícios feitos pelas empresas e famílias e pelos impactos sociais e financeiros que esta pandemia trarápossivelmente a muitos Açorianos. Mas, mais do que isso, querer fazer férias numa altura destasrepresenta um inacreditável desrespeito pelo empenho e pelos enormes sacrifícios realizados pelos profissionais de saúde, por todos os agentes de saúde pública e por todos aqueles que integram os serviços essenciais, que todos os dias deixam as suas famílias e se apresentam ao serviço, arriscando a sua própria saúde, para garantir o funcionamento da sociedade e para que todos os outros possam ficar em casa. Todos estes profissionais merecem o nosso mais profundo respeito e agradecimento. A todos, muito obrigado!Aos restantes Açorianos, por favor, se possível, fiquem em casa.