Aliança/Congresso: Santana Lopes quer disputar eleitorado à abstenção

O líder da Aliança, Pedro Santana Lopes, assumiu no sábado à noite que o seu partido quer disputar eleitorado à abstenção, nas próximas eleições europeias, e apelou ao voto dos que não têm tido “paciência nenhuma para votar”.

“Se há algo que é consequência da política feia são taxas de abstenção tão elevadas. E, por isso, quero fazer um apelo às portuguesas e portugueses que não têm tido paciência nenhuma para votar e que acham que não vale a pena” para que “deem uma chance, deem uma oportunidade”, afirmou.

Na sua intervenção no sábado à noite, que durou mais de uma hora, no primeiro Congresso Nacional do partido de que é fundador, na Arena d’Évora, Santana Lopes frisou que este “grande apelo” vale “para estas eleições e para as que se vão seguir”.

“Eu garanto-vos essa regra sagrada, cumprir na ação o que se promete na eleição”, vincou o líder da Aliança, dirigindo-se aos abstencionistas.

Os deputados europeus da Aliança que forem eleitos, afiançou, vão ter de “prestar contas a toda a hora” e, apesar de estarem em Bruxelas, não vão poder “perder o contacto com o eleitorado”.

Para o líder do partido, quando lhe perguntam a quem a Aliança vai disputar o eleitorado, a resposta é clara: “A quem mais queremos disputar é à abstenção”.

“Se nas próximas eleições uma maquia considerável da abstenção vier para o voto expresso, em nós ou noutros, valeu a pena este ciclo e vale a pena este ciclo de viragem no sistema político”, sustentou.

Para as eleições europeias de 26 de maio, argumentou Santana Lopes, o seu partido tem em Paulo Sande “o melhor cabeça-de-lista, de longe”, em comparação com os candidatos dos outros partidos, mas ainda há muito trabalho por fazer.

“Vamos ter calma, ser humildes, não ser arrogantes. Primeiro, ainda vamos ter que comer muito pão, vamos ter que trabalhar muito, lutar muito, correr o país de lés a lés para elegermos vários deputados ao Parlamento Europeu”, alertou.

O antigo primeiro-ministro realçou que o seu partido é europeísta, até porque Portugal não tem alternativa, mas Bruxelas “tem a obrigação de olhar para os resultados daquilo que exige aos estados-membros”.

“E se passados 30 anos, de mais de 100 mil milhões de euros de fundos europeus injetados na nossa economia” e esta, “em vez de convergir, marca passo ou é ultrapassada por países que só aderiram há 15 anos, os dirigentes em Bruxelas tinham a obrigação de parar, pensar e dizer: Há aqui qualquer coisa que não bate certo e não podemos continuar pelo mesmo caminho”, argumentou.

Segundo Santana Lopes, é preciso “uma nova atitude em Bruxelas”. O europeísmo é o “caminho natural” do país, porque “é muito difícil cada país da União europeia estar a competir por si”, mas é esse o “dilema, entre aqueles que acreditam que isto pode mudar, que isto tem que mudar e aqueles que se resignam e a aliança acredita que isto pode mudar e que isto vai mudar”.

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