“Reunida a CPR [Comissão Política Regional] do PSD/Açores depois dos acontecimentos que vieram a público nos últimos dias, foi decidido (por aquele órgão), após a sua direção ter colocado a sua continuidade aos seus pares, que Alexandre Gaudêncio continua com condições para exercer a presidência do partido”, declarou a dirigente aos jornalistas após cinco horas de reunião, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel.

A Polícia Judiciária (PJ) dos Açores anunciou a 02 de julho que foram constituídos “vários arguidos”, entre os quais o presidente da Câmara da Ribeira Grande e também líder do PSD/Açores, numa operação por suspeitas de “crimes de peculato, prevaricação, abuso de poder e falsificação de documentos”.

“Também estão a ser feitas buscas num conjunto de empresas que têm relações contratuais com a câmara”, acrescentou o coordenador da PJ nos Açores.

Para a secretária-geral do PSD/Açores, a CPR “reiterou desta forma toda a sua confiança” na atual liderança, não adiantando se foram formalizadas ou não demissões naquele órgão por parte de dirigentes que defendiam a saída de Alexandre Gaudêncio.

Sabrina Furtado declarou que foi o próprio Alexandre Gaudêncio que levantou a questão da sua continuidade na liderança do partido e, “por larga maioria”, foi “achado que o presidente do partido tem todas as condições para desempenhar o cargo de presidente”.

Em declarações aos jornalistas, numa primeira reação depois de ter sido constituído arguido, Alexandre Gaudêncio disse estar “convicto de que todas as opções” que tomou enquanto autarca “estão dentro da legalidade”.

Quanto aos cargos que ocupa, não avançou a possibilidade de se demitir de presidente da Câmara: “enquanto autarca, com certeza que é muito fácil hoje em dia ser constituído arguido, basta uma queixa anónima”.

Sobre a liderança da estrutura regional do PSD, admitiu que a questão será “analisada internamente” e deixada “à consideração” dos seus pares.