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O presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo afirma, em vésperas do congresso anual, que, apesar do “espantoso dinamismo” do turismo, o setor tem de “percorrer um longo caminho de recuperação” para balanços empresariais pré-pandemia.

Pedro Costa Ferreira respondeu à Lusa, por escrito, por ocasião do 47.º congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que vai decorrer de 08 a 11 de dezembro em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores.

Questionado sobre quais as expectativas da APAVT para este congresso, numa altura em que os números mostram uma recuperação do setor para níveis perto de 2019, mas em que se vive uma conjuntura de alta inflação, de invasão da Ucrânia, etc, o presidente da APAVT refere que, tal como em anos anteriores, se pretende “fazer um ponto de situação e olhar para o futuro, em conjunto com todos os ‘stakeholders’ [parceiros do setor]”.

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“Será preciso sublinhar que o ano reflete o espantoso dinamismo e liderança do setor turístico, das agências de viagens também, mas que teremos de percorrer um longo caminho de recuperação para voltarmos a ter os balanços contabilísticos de 2019. Paralelamente, como é tradição dos nossos congressos, será um momento de imersão total no destino turístico Açores, São Miguel, em particular (…)”, reforçou Pedro Costa Ferreira .

Em 26 de setembro, a então secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, disse, em entrevista à Lusa, que apesar da recuperação “muito vigorosa” do setor, os balanços das empresas – “altamente deteriorados” – ainda vão levar alguns anos a robustecer.

A edição deste ano vai contar, segundo o mesmo responsável, com 751 congressistas.

Em 04 de julho, aquando a apresentação do congresso em Ponta Delgada, Pedro Costa Ferreira lembrou que este encontro, apesar de “organizado por agentes de viagens”, é “historicamente o congresso do turismo português”, no qual se faz a “reflexão do que tem acontecido” e onde se traçam “algumas bases do caminho” a percorrer.

Sobre a escolha dos Açores como ‘palco’ este ano, o presidente da associação disse hoje à Lusa terem, para começar, considerado “acertado fazer o congresso” em Portugal, “depois da crise enorme” que se viveu.

E depois, “pareceu-nos bem escolher, no nosso país, uma montra de sustentabilidade. Tivemos, da parte dos Açores em geral, do Governo regional, e do próprio presidente, um acolhimento entusiástico desta ideia, que fez com que imediatamente tomássemos a decisão”, acrescentou.

Em julho, o presidente do Governo Regional, o social-democrata José Manuel Bolieiro, realçou a importância do congresso que vai permitir “combater a sazonalidade” por decorrer num período de “época baixa”.

O congresso da APVT vai decorrer pela quinta vez nos Açores, depois de o arquipélago já ter recebido o fórum em 1995, 2006, 2013 e 2018.

Refira-se que em 18 de novembro, aquando do encerramento do 33.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, promovido pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), em Fátima, a então secretária de Estado do Turismo mostrou-se ainda mais confiante do que em meses anteriores, dando como “quase certo” um novo recorde de receitas turísticas no final deste ano.

Em 2019, um ano recorde para a atividade turística nacional, Portugal alcançou receitas turísticas de mais de 18.000 milhões de euros.

Em setembro de 2022, segundo as contas do Presstur a partir dos dados do Banco de Portugal, as receitas turísticas atingiram 2.378,69 milhões de euros, um montante que ultrapassa em 351,7 milhões de euros o mês homólogo de 2019, pré-pandemia, e supera em 72,2% ou 997,5 milhões o setembro de 2021.

Em termos acumulados, de janeiro a setembro de 2022, as receitas turísticas ascendem a 16.747,80 milhões de euros, um aumento de 14% ou 2.058 milhões de euros face aos primeiros nove meses de 2019. Comparando com o período homólogo de 2021, a subida é de 139,2% ou 9.746,58 milhões de euros.

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