Açores vão integrar Roteiro Nacional das Infraestruturas de Interesse Estratégico

O Governo dos Açores vai consolidar a investigação científica na área da biodiversidade, através do projeto AZORESBIOPORTAL – PORBIOTA, aprovado esta semana, num investimento global de cerca de 300 mil euros, dos quais 255 mil euros são suportados pelo FEDER e cerca de 45 mil pela Direção Regional da Ciência e Tecnologia.

Através deste projeto, os grupos de investigação na área da Biodiversidade da Universidade dos Açores vão passar a integrar o Roteiro Nacional das Infraestruturas de Interesse Estratégico (RNIIE), e será criada uma e-infraestrutura destinada a gerir dados de biodiversidade do arquipélago, com o objetivo da sua integração na infraestrutura europeia de e-Ciência LIFEWATCH.

O Diretor Regional da Ciência e Tecnologia afirmou que, através desta e-infraestrutura, pretende-se “promover uma agenda regional para a investigação em biodiversidade, focada na prestação de serviços à comunidade científica, aos decisores políticos e gestores, contribuindo, assim, para a sensibilização e compreensão da sua importância”.

Considerando que a plataforma vai integrar informação proveniente de múltiplas fontes sobre distribuição de espécies em todo o território açoriano, Bruno Pacheco salientou que se constitui como “um importante contributo para o aprofundamento do conhecimento sobre a biodiversidade, fornecendo um conjunto de dados abrangente em vários grupos taxonómicos”.

“A plataforma vai permitir o acesso, por parte de todos os utilizadores, a uma vasta e detalhada informação sobre o estado atual e as tendências dos padrões de biodiversidade em áreas rurais”, acrescentou.

O Diretor Regional referiu ainda que, “enquanto projeto transversal” às três áreas prioritárias da Estratégia de Especialização Inteligente dos Açores (RIS3), o AZORESBIOPORTAL – PORBIOTA poderá constituir-se como “uma ferramenta fundamental” para os setores do Mar e do Turismo.

No que respeita ao Mar, Bruno Pacheco apontou “a sustentabilidade da diversidade de espécies”, na medida em que “vai concentrar informação e conhecimento aprofundado sobre o estado ambiental dos habitats marinhos e costeiros e a diversidade de espécies, contribuindo para o mapeamento e a monitorização mais eficientes dos recursos marinhos a nível regional”.

Na área do Turismo, o Diretor Regional referiu que o AZORESBIOPORTAL – PORBIOTA vai permitir “a recolha e disponibilização de dados sobre o capital natural dos Açores, que poderá vir a representar um pilar fundamental para a implementação de Tecnologias de Informação e Comunicação” aplicadas a este setor.

“Poderá representar um precioso auxiliar para o desenvolvimento do ecoturismo” no arquipélago, afirmou Bruno Pacheco, acrescentando que poderá “fomentar estratégias territoriais para o desenvolvimento do turismo rural e de natureza, contribuindo para ampliar a oferta e fortalecer a competitividade e o desenvolvimento regional”.

O AZORESBIOPORTAL – PORBIOTA arranca em janeiro e terá uma duração de três anos, envolvendo a contratação estimada de três técnicos superiores e de vários grupos de investigação da Universidade dos Açores, associados à área da biodiversidade, nomeadamente o Grupo de Biodiversidade dos Açores, o CIBIO Açores e o OKEANOS.

Refira-se que, no início do ano, o Governo dos Açores, através da Direção Regional da Ciência e Tecnologia, lançou um aviso-convite à Universidade dos Açores para candidatar-se a financiamento na área da Investigação em Biodiversidade, no âmbito dos Projetos de Infraestruturas e Equipamentos para os Centros de Competência Científica de Interesse Estratégico Regional previstos no Roteiro Nacional das Infraestruturas de Interesse Estratégico.