PUB

Os Açores registaram um aumento de dependências de substâncias psicoativas nas gerações mais novas, sobretudo na ilha de São Miguel, revelou hoje o diretor regional da Prevenção e Combate às Dependências.

“Vai muito público jovem para as comunidades terapêuticas no continente e isso é um fator preocupante. No continente, o público jovem acudia às comunidades terapêuticas em maior número sensivelmente há 10 anos. Nos Açores agora é que estão a encaminhar muitos jovens para as comunidades terapêuticas. Há aqui uma ‘décalage’ de 10 anos que estamos a tentar perceber e a seguir o percurso que no continente houve”, avançou, em declarações aos jornalistas, o diretor regional com a pasta do Combate às Dependências nos Açores, Pedro Fins.

O executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) entregou hoje, em Angra do Heroísmos, uma viatura à Unidade de Saúde de Ilha da Terceira para o programa Percursos, que presta apoio no tratamento, reinserção e a minimização de riscos a toxicodependentes em regime de ambulatório.

PUB

Na ilha Terceira, este programa chega atualmente a 125 pessoas, por dia, mas em São Miguel, em parceria com as associações Alternativa e Arrisca, já atinge as 500 e a ilha tem quatro viaturas deste género, uma das quais destinada exclusivamente a menores.

Segundo o diretor regional, em São Miguel, há jovens com “13, 14 e 15 anos” em tratamento e o problema das dependências é “bem pior”, por isso é exigida uma atenção redobrada e uma articulação entre várias entidades.

“Em São Miguel, existe muito público menor. Sabemos que o público menor tem de ser muito mais acompanhado”, sublinhou.

Com um custo de 38.500 euros, a nova viatura do programa Percursos na ilha Terceira vai permitir prestar um apoio com mais “confidencialidade e dignidade” aos utentes.

Para além da substituição opiácea, o programa, que percorre toda a ilha de segunda a sexta-feira, prevê a troca de seringas e agulhas e a entrega de preservativos, para “combater as doenças infetocontagiosas”.

Segundo Pedro Fins, o apoio em ambulatório é a “porta de entrada” no tratamento para muitos utentes, mas o objetivo é encaminhá-los para um “tratamento mais consistente” junto das unidades de saúde, onde há também apoio médico, psicológico e social, e, numa fase seguinte, para o programa “livre de drogas”.

O diretor regional admitiu que muitos utentes “não vão conseguir” chegar à abstinência total, mas ressalvou que o sucesso do programa é medido também pela “redução de consumos” e pela reinserção social.

“Temos de ir progressivamente. É um cuidar um bocado resiliente e um bocado insistente por parte de toda a equipa multidisciplinar”, reforçou.

Na cerimónia de entrega da nova viatura, o secretário regional da Saúde e Desporto, Clélio Meneses, que tutela a área do Combate às Dependências, admitiu que a região ainda apresenta uma situação “preocupante”.

“Os Açores têm tido infelizmente números muito elevados ao nível do consumo de substâncias psicoativas. As novas substâncias psicoativas têm um impacto muito grande na região”, apontou.

Clélio Meneses disse que a “prevenção” é a principal aposta do executivo, mas reconheceu que há também necessidade de intervenção no tratamento, na redução de riscos e na minimização de danos, apelando à colaboração de toda a sociedade.

“Precisamos do envolvimento de todos na prevenção, mas também no fim da estigmatização deste tipo de situação porque, para além da penosidade das consequências imediatas e diretas dos consumos, há uma outra penosidade acrescida da estigmatização e da exclusão social”, frisou.

Pub