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O Governo Regional dos Açores vai reforçar a formação agrícola disponibilizada em 2022, incentivando a aposta em novas culturas e na produção biológica, adiantou hoje o secretário regional da Agricultura e Desenvolvimento Rural.

“Para além dos cursos tradicionais, no âmbito da bovinicultura de leite, de carne, da vinha, vamos incentivar a produção de novas culturas. Já está identificada a produção de cogumelos. O público tem procurado cursos nesta área”, afirmou, em declarações à Lusa, o titular da pasta da Agricultura nos Açores, António Ventura.

Segundo o secretário regional da Agricultura, em 2021, a tutela disponibilizou 70 cursos de formação, em 2.481 horas, que envolveram 781 formandos e representaram um investimento de cerca de 94 mil euros.

Foram ainda “ministrados 36 cursos, que envolveram mais de 1.000 participantes”, em todas as ilhas do arquipélago, no Fórum BioAzores, “para sensibilizar e formar as pessoas para uma produção mais natural, de onde se inclui a produção biológica”.

Este ano, o executivo açoriano prevê aumentar o número de cursos de formação para 107 e as horas ministradas para 3.502, estimando a participação de 1.608 formandos, num investimento de 172,3 mil euros, sem contar com o Fórum BioAzores, que deverá ter continuidade em 2022.

Em 2021, mais de metade dos cursos (56%) foram de aplicação de produtores fitofarmacêuticos, cursos obrigatórios para a renovação da autorização de aplicação desses produtos, mas este ano o executivo pretende diversificar a oferta formativa.

“Temos um plano ambicioso, de nova geração, de dianteira naquilo que deve ser a formação não só obrigatória, mas de perspetiva, em termos de caminho a seguir”, frisou o titular da pasta da Agricultura.

Segundo António Ventura, haverá “cursos direcionados para novos métodos de produção e novas produções, novas culturas, direcionadas ao combate das alterações climáticas, culturas que não consomem tanta água, ajustadas ao clima”.

“Há uma nova preocupação no âmbito da sustentabilidade, que tem a ver com as alterações climáticas, de cursos que vão ser administrados em 2022”, afirmou.

Uma das áreas em que o executivo quer apostar é na fruticultura, em que a região tem “muito potencial”, mas ainda importa “muitos alimentos”.

“Temos de fazer uma aposta forte na fruticultura nos Açores para sermos uma região produtora de fruta. Já fomos no passado, deixamos de o ser e queremos voltar novamente a ser, com todos os benefícios, ambientais, de saúde humana e económicos que essa produção de fruta traz”, sublinhou o secretário regional.

Questionado sobre a abertura dos produtores para diversificar as suas culturas, António Ventura disse que o consumo é que dita a iniciativa dos agricultores.

“Os agricultores estão sempre com vontade de arriscar, desde que o mercado possa dar o ‘feedback’ dessa vontade”, apontou, lembrando que o executivo lançou recentemente um “inquérito ao consumo de produtos biológicos”.

Para além dos cursos de aplicação de produtores fitofarmacêuticos, foram ministrados nos Açores em 2021 cursos de formação base para jovens agricultores, de combate a roedores, de diversificação agrícola, de apicultura, de inseminação artificial, de ordenha e qualidade e de poda de vinhas.

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