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Os Açores duplicaram, em 2021, o número de pessoas em tratamento por dependências, um fenómeno justificado, sobretudo, pelo aumento do consumo de novas substâncias psicoativas, revelou hoje o diretor regional da Prevenção e Combate às Dependências.

“Até 2020, eram encaminhados para comunidades terapêuticas, sensivelmente, 30 e poucos utentes. Em 2021, constatámos que foram encaminhados 67 utentes. Duplicou”, avançou o diretor regional da Prevenção e Combate às Dependências, Pedro Fins.

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A informação foi divulgada no âmbito da apresentação do Plano Regional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e Dependências para o período 2021-2024, que estará em consulta pública durante um mês.

O Governo Regional tem contratualizadas 47 camas em instituições de saúde mental para o tratamento de dependências, nas ilhas Terceira e São Miguel.

O aumento registado em 2021 obrigou à implementação de listas de espera, mas, questionado sobre a possibilidade de reforço de camas, Pedro Fins defendeu antes a necessidade de acompanhar os utentes fora das instituições.

“Há utentes que vão para comunidades terapêuticas, mas recaem muitas vezes e têm sucessivos reinternamentos. Importa perceber que há utentes que precisam de estar inseridos nos seus contextos e é necessário um reforço das equipas de tratamento para dar um seguimento a utentes, que não têm sucesso no tratamento em comunidades terapêuticas”, apontou.

Os Açores apresentam valores acima da média nacional no consumo de tabaco, álcool e substâncias psicoativas, no inquérito aos jovens participantes no Dia da Defesa Nacional, sobre comportamentos aditivos, referente ao período entre 2015 e 2019.

Segundo diretor regional da Prevenção e Combate às Dependências, a pandemia de covid-19 provocou um aumento do consumo de drogas sintéticas, que “são preocupantes”, com “maior incidência” na ilha de São Miguel.

“O maior controle fronteiriço impediu a entrada destas substâncias clássicas e passaram a entrar as novas substâncias psicoativas. Os consumidores arranjaram novas estratégias. Começaram a importar substâncias, porque elas vindas pela internet separadamente são líticas”, explicou.

O Plano Regional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e Dependências integra ações no âmbito da dissuasão, tratamento e reinserção dos consumos e comportamento aditivos, mas tem como prioridade a prevenção, razão pela qual arrancaram já no início do ano ações nesta área.

“Entendemos que não era possível perder mais tempo e que era necessário implementar medidas e ações de intervenção, por isso muitas das medidas no âmbito da prevenção já estão em prática”, adiantou o secretário regional da Saúde e Desporto, Clélio Meneses, que tutela o Combate às Dependências.

O governante admitiu que “os Açores têm números preocupantes”, que requerem uma “intervenção mais organizada, mais planeada e que seja operacional”, em cooperação com associações, escolas e autarquias.

“Se os números são o que são, se a evidência demonstra o que demonstra, é porque falhámos na prevenção. É preciso que se proceda a uma intervenção mais capacitada e mais afirmativa ao nível da prevenção”, frisou.

Em 2021, Clélio Meneses anunciou um aumento de 12% no valor das diárias dos utentes internados nas instituições de saúde mental da região, que não era atualizado desde 2008.

O executivo açoriano vai alargar esse aumento, em 2023, às 47 camas protocoladas para tratamento de comportamentos aditivos nas mesmas instituições.

“É importante que o tratamento se faça com os meios adequados para ter o respetivo sucesso, por isso, no próximo ano, vai haver um aumento de 11% relativamente a este valor da diária”, afirmou.

O secretário regional da Saúde apelou à participação na consulta pública e pediu compromisso aos adversários políticos.

“É importante que esta matéria não seja objeto de arremesso político. É importante que haja um compromisso alargado da sociedade organizada aos mais variados níveis inclusive político”, apontou.

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