Açores devem acautelar passagem do alojamento local para arrendamento

Rui Correia, presidente da Associação do Alojamento Local dos Açores Foto: Direitos Reservados

O presidente da Associação de Alojamento Local dos Açores (AALA), Rui Correia, referiu hoje haver interesse de alguns proprietários na passagem para o mercado de arrendamento, devendo o Governo Regional acautelar este processo com medidas específicas.

O Governo dos Açores anunciou esta semana que pretende apoiar famílias e proprietários com um programa de arrendamento de casas de alojamento local para as disponibilizar, a preços acessíveis, para habitação permanente.

A iniciativa surge no âmbito das medidas para mitigar os impactos da pandemia de covid-19.

De acordo com fonte do executivo regional, o programa “+ Habitação” terá uma primeira fase em que se apresentam a concurso as propriedades de alojamento local, para que sejam disponibilizadas para arrendamento de longa duração.

Em declarações à agência Lusa, Rui Correia disse que a eventual passagem de alguns alojamentos que estão a ser explorados em tipologia de alojamento local para o negócio do arrendamento desperta “algum interesse em alguns proprietários”, segundo um inquérito realizado.

A associação “sempre defendeu, desde o início, junto do Governo Regional, a criação de medidas que acautelem a passagem” para o mercado do arrendamento, uma vez que “há implicações fiscais e legais na desafetação dos imóveis de uma atividade de prestação de serviço de alojamento local para arrendamento tradicional”.

Rui Correia sugeriu ao executivo que fossem adaptados programas já existentes direcionados para o alojamento local.

A AALA realizou um inquérito sobre os impactos da pandemia da covid-19 a proprietários de alojamento local dos Açores, que registou 405 respostas, representando 857 registos de alojamento, cerca de 30% dos registos totais.

O estudo aponta para quebras de receitas de 70%, o que “representa mais 27 de milhões de euros, e elevadas taxas de cancelamentos nas reservas, havendo proprietários a estimar cancelamentos entre 75% e 100%”.

De acordo com o inquérito, a “grande maioria dos alojamentos indicou que consegue manter as suas portas abertas, mesmo não havendo atividade, com os apoios disponibilizados pelo Estado e o complemento da região, ou com outros rendimentos e poupanças”.

Os restantes manifestaram que “terão de fechar definitivamente o seu espaço, praticar arrendamento de longa duração ou mesmo vender a propriedade, encerrando a sua atividade definitivamente”.

O estudo avança que aqueles que querem se manter no negócio acreditam que a atribuição do selo “Clean & Safe” e as suas orientações de boas práticas “criam confiança no mercado, sendo uma solução recente e reconhecível”.

Neste momento o alojamento local é responsável por 15.013 camas, representando cerca de 57% do total de camas existentes nos Açores, de acordo com a AALA.

Oito das nove ilhas dos Açores já não têm qualquer caso positivo ativo de infeção por SARSCoV-2 e São Miguel tem ainda dois doentes por recuperar, avançou hoje a Autoridade de Saúde regional.

Até ao momento, já foram detetados na região um total de 146 casos de infeção, verificando-se 128 recuperados, 16 óbitos e dois casos positivos ativos para infeção pelo novo coronavírus SARSCoV-2, que causa a doença covid-19, ambos na ilha de São Miguel.