Açores admitem dificuldades no transporte de material de proteção

O responsável da Autoridade de Saúde Regional dos Açores justificou hoje o atraso na chegada de material de proteção individual à região, para fazer face à covid-19, com as dificuldades de transporte de carga a nível mundial.

“Vivem-se dias bastante difíceis por todo o globo. Existe uma série de dificuldades e constrangimentos à livre circulação de pessoas, bens e mercadorias por todos os países. E vivem-se dias bastantes difíceis mesmo para o simples transporte de mercadorias”, afirmou Tiago Lopes, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.

Questionado sobre as denúncias de falta de material de proteção individual em algumas unidades de saúde dos Açores, por parte das ordens dos Médicos e dos Enfermeiros, o responsável máximo da Autoridade de Saúde Regional admitiu que a região aguarda “há algum tempo” pela chegada de material já adquirido, mas frisou que ainda tem ‘stock’.

“Temos material em ‘stock’ e iremos fazer a redistribuição sempre que necessária pelas unidades de saúde”, apontou, acrescentando que a Secretaria Regional da Saúde tem estado a trabalhar para que as aquisições adicionais “cheguem o quanto antes à região”.

Tiago Lopes ouviu os apelos da Organização Mundial de Saúde para que os governos fornecessem material de proteção individual aos profissionais de saúde, mas disse que é preciso que sejam criadas condições de segurança para que o transporte desses equipamentos seja efetuado.

“Na minha humilde opinião, na minha pequenez, para a Organização Mundial de Saúde dizer isso convinha que, enquanto instituição, criasse corredores de transporte e segurança, para que entretanto todo o equipamento de proteção individual que já foi adquirido e já se aguarda a sua chegada aos diferentes países também pudesse chegar atempadamente“, frisou.

O presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, já tinha revelado que tinha aterrado hoje um avião com “material diverso” para o Serviço Regional de Saúde, parte de uma aquisição orçada em 9,3 milhões de euros, anunciada no passado sábado pela secretária regional que tutela esta área.

Entre os 63 casos confirmados da covid-19 nos Açores há oito profissionais de saúde, mas apenas os três anunciados hoje foram infetados em contexto laboral, através de dois colegas ligados a uma cadeia de transmissão identificada no concelho da Povoação, na ilha de São Miguel.

“Por via de terem estado em contexto laboral, acabaram por criar essa cadeia de transmissão secundária e infetar outros profissionais de saúde, não em contexto de prestação de cuidados, mas no sentido da interação social que tiveram com outros colegas no contexto laboral”, afirmou Tiago Lopes.

O responsável da Autoridade de Saúde Regional salientou que, além de profissionais de saúde, foram testados doentes que estiveram em contacto com os casos confirmados, mas até ao momento todos tiveram resultado negativo.

Só na ilha de São Miguel foram registados 86 resultados negativos nas últimas 24 horas, estando ainda a aguardar colheita de amostras ou resultado de análises 38 pessoas.

Atualmente, só a TAP efetua ligações aéreas para os Açores e apenas para as duas ilhas com mais habitantes (São Miguel e Terceira).

Desde o dia 19 de março que as ligações aéreas e marítimas inter-ilhas nos Açores estão também reduzidas a transporte de carga e ao transporte excecional de passageiros, com autorização da Autoridade de Saúde Regional, que anunciou esta quarta-feira que iria restringir essas autorizações a situações “urgentes e emergentes”.

Questionado sobre um grupo de mais de 100 estudantes açorianos, de várias ilhas, deslocados no continente português, que pretende regressar a casa, Tiago Lopes disse que as situações estavam a ser aferidas “caso a caso”.

“Deixar regressar é a nossa intenção e o nosso objetivo, mas tem de ser feito com a devida segurança, tanto para eles como para a restante população aqui na região. Estamos a aferir essa situação e dentro de algum tempo teremos também algum vislumbre sobre a resposta a dar a cada um destes casos”, avançou.

A prioridade da Autoridade de Saúde Regional neste momento é fazer regressar a casa os açorianos deslocados dentro do arquipélago, que já foram “devidamente avaliados pelas delegações de saúde, no sentido de não terem critérios, nem clínicos, nem epidemiológicos, que possam colocar em risco a comunidade para onde se vão deslocar”.

Os Açores registaram hoje seis novos casos da covid-19 (três em São Miguel, dois na Terceira e um na Graciosa), elevando o número total para 63.

A ilha de São Miguel é a mais afetada, com 28 casos confirmados, seguindo-se Terceira (11), Pico (nove), São Jorge (sete), Faial (cinco) e Graciosa (três).

Os seis concelhos da ilha de São Miguel terão cordões sanitários, entre as 00:00 de sexta-feira e as 00:00 de dia 17 de abril, ficando interditadas “as deslocações entre concelhos”.