Ações de formação para valorização do atum já arrancaram no Faial e em São Miguel

O Diretor Regional das Pescas afirmou hoje, na Horta, que “é possível criar valor acrescentado” no peixe capturado nos Açores, essencialmente no atum, através de “mercados de alto valor” na Ásia, na Europa e nos EUA.

Luís Rodrigues salientou que o pescado açoriano vale atualmente, em média, mais quatro euros do que o pescado do continente, defendendo que há “uma margem forte para a valorização do atum”.

O Diretor Regional, que falava aos jornalistas à margem de uma ação de formação para a valorização do atum destinada a armadores e pescadores, referiu que esta iniciativa se enquadra “na orientação estratégica da Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia para a capacitação da fileira da pesca”, mais concretamente para o Plano de Valorização do Atum.

“Temos trabalhado bastante nessa área, não só na capacitação dos ativos da pesca, mas também na valorização dos produtos da pesca”, disse Luís Rodrigues, adiantando que está a ser apresentada uma técnica japonesa, denominada ‘Ike Jime’, que permite que o pescado se “mantenha fresco durante 15 dias, no mínimo”.

Esta técnica permite o sangramento e a destruição do sistema nervoso central do pescado, que, posteriormente, é acondicionado em água do mar e gelo.

“Esta prática pode ser feita a bordo e permite que o peixe chegue aos mercados de alto valor num grau de frescura máximo”, afirmou.

Aa ações de formação arrancaram quarta-feira, em Ponta Delgada, com a participação de duas dezenas de armadores e pescadores, sendo ministradas por três especialistas.

Luís Rodrigues referiu que “os formadores estão em contacto com os comerciantes”, sendo que “os pescadores que desenvolverem esta técnica com o pescado, seja atum ou outras espécies, terão, à partida, a garantia de que o seu peixe será vendido” para um mercado de alto valor.

“Esta é apenas uma de várias medidas que constam do Plano para a Valorização do Atum”, disse, lembrando os encontros de trabalho promovidos pela Direção Regional das Pescas entre a APASA – Associação de Produtores de Atum e Similares dos Açores e várias organizações de produtores nacionais de grande projeção, como a Vianapesca e a ArtesanalPesca.

Este trabalho pretendeu capacitar as organizações de produtores regionais para a valorização de produtos da pesca, “através de narrativas de boas práticas”, afirmou o Diretor Regional.

Segundo Luís Rodrigues, “a procura de mercados de alto valor e alta restauração e a certificação” são outras medidas que fazem parte do Plano para a Valorização do Atum, adiantando que, recentemente, aquando da realização da Seafood Expo Global, em Bruxelas, a Direção Regional das Pescas conseguiu garantir a exportação de peixe dos Açores para a Alemanha.

A empresa açoriana ‘Fat Tuna’ já garantiu a compra do pescado que seja sujeito à técnica ‘Ike Jime’, tendo-se disponibilizado para dar formação a bordo e a disponibilizar utensílios e equipamentos de conservação do pescado às embarcações.