A primeira égua fruto de um embrião criopreservado encontra-se de “boa saúde”

A primeira égua que nasceu em Portugal fruto da transferência de um embrião criopreservado, uma técnica de recolha e transferência de embriões, encontra-se de “boa saúde”, afirmou hoje o responsável do Centro de Reprodução Animal de Vairão (CRAV).

Em declarações à Lusa, António Rocha afirmou hoje que a poldra Lisa e a sua progenitora, a égua Josefina (o primeiro cavalo a ser produzido com sémen do epidídimo), se encontram de “boa saúde”, mas “separadas” do resto da manada.

Nascida no dia 15 de junho, a poldra Lisa tornou-se o “primeiro cavalo em Portugal” resultante da transferência de um embrião criopreservado.

A criopreservação é uma técnica de recolha e transferência de embriões que, através da “lavagem do útero da égua dadora” permite a “transferência imediata” do embrião para o útero da égua recetora, que tem de estar na mesma fase de cio da égua dadora.

Há já vários anos que o CRAV do Instituto de Ciências Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto presta serviços de reprodução assistida, contudo, a criopreservação tem “sido um tema de investigação recorrente”, disse o investigador.

“Nós temos trabalhado em estreita parceria com vários colegas, nomeadamente em coudelarias e centros de recolha e exportação de sémen de equino”, frisou o responsável do CRAV.

Segundo António Rocha, uma vez que a criopreservação em azoto líquido permite a conservação do embrião “por tempo indeterminado”, torna-se possível o seu transporte e, consequentemente, a sua transferência para éguas recetoras que se encontram em locais “geograficamente distantes”.

À Lusa, o investigador adiantou que a colaboração com outros colegas envolvidos comercialmente na indústria de reprodução assistida poderá potenciar a exportação de cavalos Puro Sangue Lusitanos (PSL).

De acordo com o instituto, um dos maiores mercados para a exportação desta linhagem são os Estados Unidos da América, contudo, as exportações para esse país “são limitadas pela existência de uma doença parasitária que tem prevalência elevada nas principais zonas de criação de PSL”.

“Os cavalos adultos adquirem enfermidades e anticorpos para agentes patogénicos, que impedem ou dificultam a sua exportação, por motivos sanitários. Os embriões estão livres da maioria desses agentes patogénicos. Assim, se criopreservados, a sua exportação seria uma forma alternativa e segura de exportar genética de PSL, entre outros”, concluiu o investigador.