“A maioria das diretrizes do estudo sobre comportamentos aditivos já estão em implementação”

Teresa Machado Luciano, Secretária Regional da Saúde

A Secretária Regional da Saúde assegurou hoje, na Assembleia Legislativa, na Horta, que a maioria das diretrizes do Estudo de Caraterização dos Comportamentos Aditivos na Região Autónoma dos Açores já se encontra em implementação, destacando o cariz inovador da investigação, que possibilitou “o estudo de fatores de proteção e de risco para o consumo de substâncias psicoativas que nunca foram avaliados na população adolescente dos Açores”.

Teresa Machado Luciano, que falava no âmbito de uma interpelação ao Governo sobre esta matéria, apontou como principal vantagem deste estudo o facto de indicar pontos comuns e divergências entre as nove ilhas, o que cria condições para adotar “soluções adaptadas a cada realidade, a par das medidas e programas transversais ao território e já em curso, permitindo otimizar os recursos existentes e potenciar os ganhos em saúde”.

As 10 diretrizes avançadas pelo estudo, que foi elaborado pela Universidade dos Açores, constam do Plano de Ação Regional de Prevenção e Intervenção em Comportamentos Aditivos e de Dependência, encontrando-se oito já em execução.

As duas medidas ainda não implementadas integram o plano de ação para 2020, que será apresentado no final de novembro e se baseia na intervenção comunitária e no desenvolvimento de Redes Locais de Intervenção.

No Plano de Ação Regional de Prevenção e Intervenção em Comportamentos Aditivos que será divulgado em finais do próximo mês está prevista também a criação de uma estrutura de monitorização dos comportamentos aditivos e dependências.

A Secretária Regional adiantou ainda que a Rede de Referenciação das Estruturas de Intervenção em Comportamentos Aditivos está em fase de conclusão e que, já em curso e a produzir resultados, está o Fórum Regional de Álcool e Saúde, que agrega parceiros de diferentes áreas.

Teresa Machado Luciano salientou, por outro lado, que “existe um novo paradigma de Saúde Escolar, que intervém de acordo com o ciclo de vida e nível de desenvolvimento e em parceria com estruturas da comunidade”, apontando como exemplos de iniciativas em curso os programas ‘Prevenir em Família e Comunidade’, ‘Eu e os Outros’ e ‘Teatro do Oprimido’.

São promovidas também ações de sensibilização sobre o consumo de álcool e outras substâncias psicoativas em contexto recreativo, estando a ser elaborado um manual de boas práticas para o licenciamento de festivais, bares e outros pontos de venda de álcool, referiu a Secretária Regional, acrescentando que o programa ‘Giros’, de prevenção e minimização de riscos em contexto noturno, “já foi implementado nas nove ilhas, tendo abrangido 13 mil jovens, em contexto de festa”.

As mochilas de água, uma iniciativa que pretende reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, foram implementadas em atividades com crianças e jovens e em algumas festas, tendo sido articulada com a Inspeção Regional das Atividades Económicas e com os produtores dos eventos a criação de pontos de água potável.

A Secretária Regional salientou que a família é também privilegiada em programas de parentalidade, como ‘Prevenir em Família e Comunidade’ e ‘Trajeto Seguro 0’, referindo ainda o projeto ‘ID, a tua marca na net’, que promove a segurança na Internet e conta com o apoio da Fundação PT.

Relativamente ao programa ‘Eu e os Outros’, tendo já decorrido a formação dos profissionais, adiantou que será aplicado a todo o arquipélago, através das equipas de Saúde Escolar e demais parceiros, sendo os conteúdos adaptados à realidade de cada ilha.

Para trabalhar os efeitos da pressão do grupo, as equipas de Saúde Escolar, referiu Teresa Machado Luciano, apostam na metodologia do ‘Teatro do Oprimido’.

Questionada sobre a amostra do estudo, Teresa Machado Luciano afirmou que incidiu sobre adolescentes e jovens, entre os 12 e os 21 anos, porque “o enfoque da estratégia é a prevenção num horizonte de médio e longo prazo e esta deve centrar-se nas idades em que se começa a consumir”.

“Uma vez que só conhecendo as causas do consumo, de cariz individual, é possível prevenir, optou-se por fazer concentrar a investigação num público mais jovem e em variáveis psicológicas e comportamentais”, frisou, acrescentando, relativamente à metodologia, que se privilegiou “a caraterização atual dos comportamentos, em detrimento da evolução, porque o objetivo foi analisar com maior profundidade, para melhor intervir”.

O Plano de Ação Regional de Prevenção e Intervenção em Comportamentos Aditivos e de Dependência 2017-2020 tem um caráter multidisciplinar, contando com a intervenção de diversas áreas governamentais, nomeadamente educação, segurança social e emprego, entre outras, integrando também ações em articulação com a Estratégia de Combate à Pobreza e Exclusão Social.

No que se refere aos dados sobre o tabagismo, a Secretária Regional apontou a sua divulgação para 17 de novembro, Dia Nacional do Não Fumador, data em que será lançado o Plano de Ação do Combate ao Tabagismo.