José Saramago tem um conhecido poema sobre as privatizações, onde expõe ao ridículo a venda aos privados de tudo quanto é estratégico para o interesse público. Denunciava assim que o neoliberalismo conseguiu impor-se nas orientações políticas.
Investindo fortemente no plano mediático, o neoliberalismo impôs como verdade absoluta aquilo que a realidade desmente todos os dias. Por exemplo, os factos desmentiram a noção de que é indiferente uma empresa ser gerida em função dos lucros de grupos privados ou do interesse público. Desmentiram, também, a falácia da superioridade da gestão privada, em relação à gestão pública. Contudo, ignorando os factos, os dogmas neoliberais foram-se impondo como pensamento único, não questionável, alimentando assim uma nova espécie de censura: quem pensa de forma diferente, está errado.
Indiferente a tudo isto, a realidade, em toda a sua complexidade, mostra-nos que não pode ser compreendida a partir de ideias pré-concebidas. Dou quatro exemplos que mostram precisamente a falsidade dos dogmas neoliberais.
A venda da TAP aos privados foi concretizada em 2015 com recursos da própria companhia. Em meia década, caiu na falência e trouxe consigo vários negócios ruinosos para o interesse e para as finanças públicas.
Pelas mãos do PS e do PSD, o BCA, antigo banco público regional, foi vendido ao BANIF. A Região perdeu este ativo estratégico e milhares de Açorianos perderam as poupanças de uma vida.
A Vinci, empresa francesa que comprou a concessão da ANA Aeroportos ao preço da chuva, vai adiando as obras nos aeroportos que gere ao mesmo tempo que aumenta as taxas aeroportuárias.
No ano passado, os cinco maiores bancos nacionais lucraram, todos os dias, 14,6 milhões de euros, cobrando juros, taxas e taxinhas. Ou seja, em média, em 2026, cada Açoriano contribuiu com 500 € para os seus lucros.
Os factos aconselham a anulação da privatização de empresas públicas regionais. Lamentavelmente, também nos Açores, há muito que a orientação política regional, desde a extrema-direita até ao PS, foi capturada pelos grandes grupos privados…






















