A literacia financeira atualmente ministrada nas escolas dos Açores, nas disciplinas de Cidadania ou de Matemática, “é insuficiente”, disse hoje Hermínia Rodrigues, representante dos Açores no Conselho Nacional de Educação.
“Os professores estão muito concentrados no cumprimento das aprendizagens essenciais da sua disciplina, e a literacia financeira é algo que depois fica para segundo ou terceiro plano, ou nem sequer chega a ser abordada. Muito honestamente, é insuficiente aquilo que se faz”, advertiu aquela especialista, ouvida na Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Regional dos Açores, reunida em Ponta Delgada.
A audição de Hermínia Rodrigues surge na sequência de uma iniciativa apresentada pela bancada parlamentar do PS, o maior partido da oposição nos Açores, que propõe um reforço curricular da literacia financeira nas escolas da região, na sequência de uma recomendação feita pelos próprios alunos, durante a última edição do Parlamento Jovem.
“Acho que se trata de uma boa proposta. É necessário um reforço curricular nesta área, mas não através de uma nova disciplina. O que se pretende atualmente é trabalhar as literacias de uma forma transversal. Ela não tem, obrigatoriamente de ser trabalhada única e exclusivamente na Matemática ou na Cidadania, mas todos os conteúdos podem ser trabalhados por qualquer área curricular”, explicou a especialista.
Na sua opinião, é também necessário que haja mais formação para os próprios doentes, uma vez que muitos professores já manifestaram dificuldades nesta matéria: “os professores da minha escola, e julgo que não é caso único, sentiram muita dificuldade em trabalhar a literacia financeira, e aquilo que está previsto nas atuais aprendizagens, porque há conceitos que não dominam”.
Para a representante dos Açores no Conselho Nacional de Educação, os currículos regionais, na área da literacia financeira, deviam ser reforçados com matérias que digam respeito aos alunos açorianos, como os custos associados às deslocações para estudar fora da ilha, ou os custos com a habitação e com a formação.
Hermínia Rodrigues defendeu também, durante a audição parlamentar, que o Governo Regional devia disponibilizar manuais escolares físicos para todos os alunos da região, e, sempre que possível, complementá-los com manuais digitais.
“Não me parece que tenhamos de optar entre o físico e o digital. A mais valia está em poder combinar estes dois recursos. Ter o digital e ter o físico!”, insistiu aquela especialista, adiantando que deve competir ao professor escolher qual dos recursos é mais adequado a cada aluno.
Em causa está uma proposta do deputado único da Iniciativa Liberal no parlamento açoriano, Nuno Barata, que defende que os estabelecimentos de ensino devem disponibilizar os manuais em formato físico ou digital conforme a preferência dos encarregados de educação, e que o direito à gratuitidade dos manuais, consagrado na região, não pode ficar condicionado nem depender do formato escolhido.






















