Paulo Silveira, Deputado do PSD na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores

Quando assumimos o compromisso para com os Açores, assumimos a certeza de que tratar de forma diferente aquilo que é diferente não é dividir a Região, mas sim respeitar a identidade de cada uma das nossas ilhas, garantido um desenvolvimento verdadeiramente harmonioso e uma coesão regional efetiva.

Foi com este compromisso que participei no último plenário da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, onde foram aprovadas duas iniciativas, da Coligação PSD/CDS-PP/PPM, com especial relevância para a ilha de São Jorge: uma relativa à atribuição de direitos individuais de prémio à vaca aleitante às explorações de São Jorge e outra dedicada à promoção, valorização e internacionalização do Queijo São Jorge DOP.

Aliás, falar de Agricultura em São Jorge é, inevitavelmente, falar do Queijo São Jorge DOP. Tal como disse na Assembleia Legislativa e reafirmo, o Queijo São Jorge DOP é a joia dos lacticínios açorianos, não só pela qualidade de excelência e identidade própria, mas também por aquilo que representa e que gera em toda a fileira, desde o agricultor, as cooperativas e indústria, chegando ao consumidor com o nome de uma ilha e com o legado dos Açores.

Por isso, quando a produção, a indústria e a comercialização do Queijo São Jorge estão bem, todo o setor está melhor. Mas não basta produzir um dos melhores queijos do mundo e termos um dos maiores embaixadores da Marca Açores. É preciso saber transformá-lo em valor, garantir que a excelência do Queijo São Jorge DOP alcance a novos consumidores, conquiste novos mercados e dê condições para que o mérito alcançado pelo cooperativismo açoriano seja reconhecido e consolidado.

Ao promover o Queijo de São Jorge, estamos a promover agricultores, cooperativas, indústria, emprego e a economia de uma ilha, que se tem revelado uma referência na agricultura nacional, ao equilibrar sustentabilidade e competitividade, tradição e inovação, sendo o único território do país onde a produção leiteira tem certificação de bem-estar animal.

Mas a tradição não pode ser confundida com imobilismo. Importa acompanhar as mudanças dos hábitos de consumo, a evolução dos mercados, as exigências, os custos de produção e necessária renovação geracional do setor, sendo certo que os agricultores precisam de condições para adaptar as suas explorações, sem perder aquilo que distingue a agricultura de São Jorge.

Neste sentido, também foi aprovada a iniciativa sobre a atribuição de direitos individuais de vacas aleitantes para a ilha, na certeza de que qualquer atribuição ou reconversão de direitos individuais deve ser feita, de forma justa, rigorosa e abrangente, dada a atual conjuntura e as necessidades específicas do setor agrícola da ilha.

Estes diplomas surgem de um trabalho de proximidade, mas que não se esgotam na ilha. A agricultura é uma das atividades económicas com maior impacto na economia das nossas ilhas. Tudo aquilo que contribui para a sua sustentabilidade e competitividade tem impacto na Região.

Ao defender uma ilha não estamos a minimizar as restantes, mas sim estamos a acreditar que, quando cada ilha tem condições para atingir o seu máximo potencial, são os Açores que ficam mais fortes. Somos Deputados eleitos por diferentes ilhas, mas temos a responsabilidade comum de defender os Açores no seu todo, sem deixar de conhecer e responder às especificidades de cada parcela.

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