Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA

Como outras liturgias, o arranque do ano letivo congrega antigos e novos devotos. E, confirma a história, o fervor dos devotos é inverso ao tempo da crença – típico dos cristãos-novos.

Vai daí, Francisco César visitou uma escola, pretexto para revelar aos media e às redes sociais o soundbite semanal: “o ano letivo arranca de forma coxa”. A expressão é polida e apropriada à mais exigente erudição dos reels do Instagram. O problema é a crítica avançar com uma perna no presente e deixar a outra presa em 24 anos de governação socialista – fica-se com a sensação de que o presidente do PS vai subtilmente fazendo uma auditoria à desventurada herança deixada por Vasco Cordeiro… Ajustes?!

A ladainha dispensou o livro de cânticos: “falta de respostas na formação e profissionalização dos professores, alunos que esperam melhores condições e famílias que assumem mais despesas”. A ironia tem rosto e voz.

Quem negou a redução da componente letiva de Educadores e Professores do 1º Ciclo, deve ter autoridade na acusação., deve ter. E mais ainda se recordarmos o fim dos estágios integrados e remunerados, a recuperação do tempo de serviço e a escassez de vagas nos quadros.

Convenhamos, as famílias dispensam a memória seletiva de quem as esqueceu quando governava, conhecem bem quem hoje faculta manuais gratuitos em todo o ensino obrigatório, tornou as creches gratuitas e até baixou (!) o preço das refeições escolares.

Já agora, com menos quatro mil alunos, há mais 700 assistentes operacionais.

Enfim, uma memória coxa facilmente tropeça no seu passado.

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