O Governo dos Açores inaugurou hoje uma captação de água para lavoura e consumo humano na ilha Graciosa, onde também está a desenvolver um projeto de reflorestação para contribuir para a retenção de água.
A empreitada de captação de água do poço do Ratinho, na Freguesia de Guadalupe, representou um investimento total de 142 mil euros e foi financiada a 100% pelo Fundo Ambiental, de acordo com um protocolo estabelecido para 2026 com o Instituto Regional de Ordenamento Agrário (IROA).
Para além da inauguração da obra, na cerimónia, que foi presidida pelo presidente do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), José Manuel Bolieiro, foi assinado o protocolo de gestão e manutenção do sistema integrado de abastecimento de água do poço do Ratinho, entre o IROA e a Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa.
O líder do executivo referiu que o abastecimento de água à população é estratégico para a ilha Graciosa, situada no grupo Central, daí que a captação hoje inaugurada vá permitir o abastecimento “quer em quantidade, quer em qualidade”.
“O poço está à disponibilidade, tendo em conta também a qualidade e a quantidade que fornece, não apenas para a distribuição à lavoura, mas também para o consumo humano, porque tem qualidade, até reforçada em relação à atual captação para o consumo humano gerido pela Câmara Municipal”, evidenciou.
Segundo Bolieiro, através do IROA, o executivo regional está a garantir que “haja mais reforço de meios quantitativos, mas também da qualidade” da água disponibilizada à população.
“Estou muito satisfeito. A [ilha] Graciosa deve estar feliz porque, finalmente, estamos a fazer uma coisa que, na verdade, corresponde a uma necessidade atual, mas tem muito de estratégico, porque é para o futuro das novas gerações e essencial para a população na ilha Graciosa”, reconheceu.
O governante acrescentou que, a pensar no futuro, o IROA e a Secretaria Regional do Ambiente iniciaram um projeto de reflorestação de 20 hectares na serra das Fontes.
“Nós estamos também, não só a fazer o exercício da captação de água nos aquíferos que já existem, como a potenciar, num planeamento que estamos a definir entre o Governo [Regional] e o IROA, numa florestação para cerca de 20 hectares, para garantir com isso que haja mais irrigação nos solos”, explicou.
E prosseguiu: “E, havendo mais irrigação nos solos, a água vinda dos [canais] pluviais, infiltrar-se-á nos aquíferos e isso aumentará o caudal para, depois, então, termos a sua captação”.
“Portanto, estamos a trabalhar, tanto a jusante, como a montante, em sentido estratégico e de garantir futuro para o fornecimento de mais água na ilha Graciosa, sem necessidade de correr riscos de uso de água salobra”, concluiu.
O presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, António Reis, referiu que a obra de captação de água hoje inaugurada é “muito importante” para a lavoura e para a agricultura, mas “não é menos importante para a Câmara Municipal, que tem a responsabilidade do abastecimento de água às populações”.
Adiantou que as águas do poço do Ratinho, uma captação que esteve abandonada durante vários anos, são de “boa qualidade” e passam, a partir de agora, a ser encaminhadas para os reservatórios municipais.
“Nós estamos em crer que a mistura de água com qualidade, com aquela que, infelizmente, é um pouco mais salobra, trará mais qualidade de abastecimento de água às populações, nomeadamente na zona das Courelas, das Almas, da Ribeirinha e da Vitória”, explicou.
Segundo o autarca, o investimento “trará garantidamente mais qualidade de água” para a zona abastecida e os investimentos que o município irá fazer na substituição das redes de água também trarão “melhores resultados na qualidade de água entregue às populações”.
A empreitada hoje inaugurada no primeiro dia da visita estatutária do Governo Regional à ilha Graciosa consistiu na construção de um grupo hidropressor e de uma conduta com 700 metros lineares que permite a bombagem de água do poço do Ratinho e a sua condução até ao reservatório da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa.
Segundo o Estatuto dos Açores, o Governo Regional tem de visitar cada uma das ilhas do arquipélago pelo menos uma vez por ano, com a obrigação de reunir o Conselho do Governo na ilha visitada.






















