Em política, não há acasos. A Segurança Social, que acumula no fundo de estabilização quase 50 mil milhões de euros e teve em 2025 um balanço positivo de quase 7 mil milhões, é um alvo apetecível para gente com poucos escrúpulos. São valores que permitem explicar o recente ataque a esta instituição pública e ao dinheiro que é dos trabalhadores.
Desde 2024 que a comissão europeia tenta impor uma coisa a que chamou de regimes complementares de pensões, procurando, furtivamente, privatizar os regimes europeus de Segurança Social. A ganhar ficariam, como sempre, os grandes grupos económicos, neste caso, os fundos privados de pensões. Não é por acaso que um dos seus consultores, Jorge Bravo, foi escolhido pelo governo para dirigir o estudo recentemente divulgado. Nem é por acaso que as suas conclusões coincidiram com os interesses destas mesmas empresas…
Muito menos é por acaso que quem lidera este dossier, na união europeia, é Maria Luís Albuquerque, antiga ministra das finanças do governo PSD/CDS de Passos Coelho e Paulo Portas. Na altura, Luís Montenegro, líder da bancada parlamentar do PSD, garantia que os portugueses estavam pior, mas o país estava melhor. Ao mesmo tempo, a então ministra e agora comissária europeia cortava salários e pensões… Não há coincidências!
Os objetivos do governo são ambiciosos, mas, com a sua enorme derrota no pacote laboral, o primeiro ministro, a ministra do trabalho e a própria comissão europeia moderaram a sua ânsia. Cortar as pensões atuais e futuras, prolongar o tempo de trabalho ou mesmo privatizar direta ou indiretamente a Segurança Social são os objetivos escondidos que permitem concluir que a raposa já está instalada no galinheiro.
Já há 30 anos, um livro branco da Segurança Social anunciava que esta seria insustentável já em 2017. Neste século, já assistimos à falência de vários fundos privados de pensões e à consequente penúria em que estas empresas deixaram milhões de reformados. É caso para dizer: quem faliu não foi a Segurança Social pública, mas sim as teorias que garantem há anos que esta é insustentável!






















