O município das Lajes do Pico considerou um “marco histórico” para os Açores a inscrição do “Bote Baleeiro Açoriano: arte de manuseamento e construção nas Lajes do Pico” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, foi hoje divulgado.
Segundo um comunicado da Câmara Municipal das Lajes do Pico, na ilha do Pico, a oficialização, publicada na quarta-feira no Diário da República “consagra uma profunda marca identitária do povo açoriano”.
A inscrição também “eterniza a resiliência e o engenho” que unem as ilhas açorianas em torno do mar e é considerada uma vitória coletiva que honra o passado e “projeta a cultura dos Açores para o mundo”.
O “Bote Baleeiro Açoriano: arte de manuseamento e construção nas Lajes do Pico” foi inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI), segundo a publicação em Diário da República.
No anúncio, assinado pelo presidente do conselho diretivo do instituto público Património Cultural, João Soalheiro, é destacada a “relevância da arte de manuseamento e construção do bote baleeiro açoriano enquanto reflexo da identidade da comunidade, grupos e indivíduos envolvidos no presente com estas práticas, nomeadamente no contexto do município das Lajes do Pico”.
Também se refere a importância histórica desta manifestação no território em que se insere e sua influência social, cultural e patrimonial, a necessidade de valorização e salvaguarda dos contextos de transmissão de conhecimentos e saberes promovidos ao longo de gerações e a articulação com as exigências de desenvolvimento sustentável nos territórios e respeito pelos direitos, liberdades e garantias nas comunidades, grupos e detentores associados.
A Câmara Municipal das Lajes do Pico, liderado por Ana Brum (PS), lembra que a candidatura do município contou com o “importante apoio” da Direção Regional da Cultura dos Açores.
“Contudo, este desígnio apenas foi possível de concretizar contando igualmente com o apoio de todos os que contribuíram com o seu conhecimento, bem como com os que contribuem diariamente para que esta cultura esteja tão viva na nossa comunidade. São os remadores e velejadores que, com persistência, ano após ano, continuam a formar companhas [tripulações] femininas e masculinas para os botes, permitindo assim manter viva esta tradição secular”, acrescentou.
A autarquia adianta que o reconhecimento nacional “afigura-se como o alicerce para o próximo grande objetivo, a submissão da candidatura à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura]”, admitindo que o bote baleeiro “assume-se, cada vez mais, como um verdadeiro embaixador da história partilhada de todos os açorianos”.
Como reconhecimento pela distinção, a autarquia das Lajes do Pico foi convidada para a cerimónia do Dia Internacional do Património Cultural Imaterial, que irá decorrer na Casa das Artes, no Porto, no dia 16 de outubro.
Na cerimónia, será entregue a placa comemorativa da inscrição e haverá espaço para “uma breve apresentação da mesma por parte dos investigadores responsáveis”, indicou.
Quando o Património Cultural deu início ao processo de consulta pública para a inscrição da manifestação “Bote Baleeiro Açoriano: arte de manuseamento e construção nas Lajes do Pico” no INPCI, a presidente da Câmara Municipal das Lajes do Pico, Ana Brum, disse à agência Lusa que a autarquia contratou uma empresa que estava a trabalhar para, após a inscrição no património imaterial português, entregar a candidatura ao Património Mundial da UNESCO em fevereiro de 2027.
“Foi este todo o trajeto que percorremos e estamos a percorrer até conseguirmos chegar àquilo que tem sido muito falado ao longo dos anos, de se poder classificar o bote açoriano, com a importância que tem para a UNESCO”, disse.
Segundo a autarca, esta importância é vital, porque na ilha do Pico “apenas existem dois construtores navais, sendo que um deles, o senhor João Tavares, já é um octogenário, ou está lá perto” e resta apenas um construtor naval no concelho das Lajes e na ilha, “que é o senhor Monteiro”.
O município das Lajes do Pico começou há três anos com o “grande projeto” para, um dia, fazer uma candidatura à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, “que há muito [é] também desejada pela população” do concelho.
A candidatura visa reconhecer e salvaguardar os conhecimentos e técnicas associadas ao manuseamento e à construção do bote baleeiro açoriano nas Lajes do Pico, uma marca cultural dos Açores.
A caça da baleia no arquipélago dos Açores terminou em 1984.
A captura processava-se com base em barcos de boca aberta e em métodos artesanais, com recurso a um arpão, sendo posteriormente os cetáceos desmanchados nas unidades industriais que existiam nas várias ilhas do arquipélago.






















