O Governo Regional dos Açores disse hoje que adjudicou o estudo para candidatura do queijo de São Jorge a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO e espera que o processo seja entregue o “mais rápido possível”.
O secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, anunciou hoje, no plenário regional, na Horta, na ilha do Faial, que o executivo de coligação PSD/CDS-PP/PPM já adjudicou a elaboração do levantamento “dos saberes e das técnicas tradicionais da confeção do queijo de São Jorge” ao Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA).
“É um estudo que nos irá custar 43 mil euros. [A verba] entrará no próximo Orçamento [Regional] de 2027. E, portanto, esta candidatura, como dissemos desde o início, não é um processo ágil, nem rápido, é feito em parceria com a Secretaria Regional da Educação e estamos a trabalhar conjuntamente para que esta candidatura possa ser entregue o mais rápido possível”, adiantou.
O governante ressalvou, no entanto, que são apresentadas “várias candidaturas a nível mundial” à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês).
“Ou fazemos algo com consistência, com muita identidade, com muita investigação científica que possa ser uma força que conduza à aprovação ou, então, apresentar por apresentar, é um falhanço”, vincou António Ventura.
E concluiu: “E pior que [uma] não aprovação é um falhanço, porque depois de [uma candidatura] falhar uma vez ou de reprovar uma vez, dificilmente voltaremos a ter a candidatura aprovada. Nós temos condições para que isso aconteça. Fazemos com tempo, com espaço, com a identidade e com o envolvimento de todos”.
O titular da pasta da Agricultura açoriana falou do assunto no debate sobre o projeto de resolução do PSD, CDS-PP e PPM sobre “Promoção, Valorização e Internacionalização do Queijo São Jorge DOP – Denominação de Origem Protegida”, que foi aprovado por maioria.
Em março, o executivo açoriano informou que a estrutura de acompanhamento técnico do processo de candidatura do queijo de São Jorge a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO estava em fase de constituição.
Na resposta a um requerimento do grupo parlamentar do PS, consultada pela agência Lusa, o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, referia que, após a assinatura de um protocolo de colaboração destinado à inscrição dos saberes e técnicas tradicionais da confeção do queijo de São Jorge no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, “foram encetados contactos institucionais entre as entidades subscritoras e outras entidades relevantes para o desenvolvimento do processo de inventariação”.
Quanto ao calendário previsto para formalização do processo, Paulo Estêvão respondeu que, dada a natureza complexa e exigente dos procedimentos associados à inventariação do património cultural imaterial, “encontra-se em curso a definição das etapas de trabalho e da respetiva calendarização, em articulação com as entidades parceiras e com os contributos técnicos das instituições envolvidas”.
“A inventariação de património cultural imaterial é, por natureza, um processo exigente e prolongado, assente em diversas etapas sucessivas e interdependentes”, recordava, garantindo que, após a conclusão das etapas preparatórias, “será possível avançar para a formalização da candidatura ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial”.
A intenção da candidatura do queijo de São Jorge a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO foi anunciada em setembro de 2023.
O Governo dos Açores e a Confraria do Queijo de São Jorge assinaram, em 02 de abril de 2025, um protocolo para inscrever os “saberes e as técnicas tradicionais da confeção do Queijo de São Jorge como Património Cultural Imaterial”.
“Estamos a dar um passo muito importante, é um passo que tem como precedente a qualidade e a excelência do queijo de São Jorge e o talento desde há 500 anos para transformar leite de elevada qualidade em queijo de elevadíssima qualidade”, afirmou na ocasião o presidente do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro.
Já o responsável pela Confraria do Queijo de São Jorge, António Azevedo, defendeu que o reconhecimento vai permitir elevar o produto a um “patamar superior”.
Em setembro de 2023, o Governo dos Açores já tinha anunciado que ia iniciar o processo junto da organização internacional.






















