O PS/Açores anunciou hoje que vai pedir a audição urgente da secretária regional com a tutela dos transportes e da administração da nova empresa de transporte de passageiros em São Miguel, para esclarecer falhas no serviço.
O anúncio foi feito, em conferência de imprensa, por Nuno Miranda, do secretariado regional do PS açoriano, por o partido considerar que o assunto merece um esclarecimento no plano político e operacional.
O PS/Açores “articulou com o seu grupo parlamentar a audição com caráter de urgência da secretária regional com tutela na área dos transportes e da administração da empresa Vale do Ave, na comissão parlamentar competente”.
“Queremos que sejam prestados todos os esclarecimentos sobre a preparação desta nova concessão, as falhas já identificadas, os recursos humanos disponíveis, o cumprimento das obrigações assumidas pelo operador, a fiscalização que está a ser efetuada e as medidas que o Governo Regional pretende adotar para garantir a normalização do serviço”, afirmou.
Segundo Nuno Miranda, os açorianos “têm o direito de saber se aquilo que foi contratado está a ser cumprido e o parlamento tem o dever de fiscalizar”.
“Não pedimos impossíveis, pedimos apenas aquilo que qualquer cidadão tem o direito de esperar de um serviço público. Que funcione”, disse.
E prosseguiu: “Uma pessoa que está numa paragem de autocarro às sete [horas] da manhã não quer saber quem ganhou o concurso, quem elaborou o caderno de encargos ou quem tem razão numa reunião. Quer saber duas coisas muito mais simples. A que horas passa o autocarro e se chegará ao destino a horas”.
Para o PS, o que está a acontecer com os transportes públicos na ilha de São Miguel, desde o dia 01 de setembro, com a entrada em vigor do novo contrato de concessão, “exige respostas concretas e objetivas”.
Desde o início da operação “multiplicaram-se os relatos de atrasos, carreiras que não são realizadas nos horários previstos, dificuldades de articulação entre ligações, tempos de espera prolongados, problemas na aquisição de passes e queixas relativamente às condições de alguns veículos”.
Nuno Miranda referiu que o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) tem “a obrigação de fiscalizar se aquilo que foi contratado está efetivamente a ser prestado” e deve “atuar imediatamente”.
Sugere que o executivo, entre outras situações, realize uma avaliação operacional urgente das primeiras duas semanas da concessão e sempre que se verifiquem incumprimentos sejam utilizados os mecanismos de fiscalização e responsabilização previstos no contrato.
O BE/Açores também questionou no sábado o Governo Regional sobre os problemas verificados nas duas primeiras semanas de atividade da nova empresa de transporte público de passageiros na ilha de São Miguel e o que fez para “evitar e corrigir” falhas.
No mesmo dia, o Chega açoriano exigiu do executivo de coligação uma “correção imediata” dos termos do novo concurso público dos transportes rodoviários de São Miguel, para que o utente “possa ser bem servido”.
A 01 de setembro entrou em vigor o novo contrato de concessão do serviço público de transporte terrestre, a cargo da empresa Vale do Ave.
Segundo o executivo açoriano, o novo sistema de transporte público denominado Azores Bus, representa um investimento superior a 44 milhões de euros ao longo de 15 anos, constituindo “uma aposta estratégica na melhoria da qualidade de vida dos micaelenses, no reforço da competitividade da ilha e na promoção da sua coesão territorial”.
O novo sistema conta com mais de uma centena de autocarros, oferecendo melhores condições de conforto, segurança e acessibilidade para residentes e visitantes, indicou.
A secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, referiu, citada numa nota de imprensa, que entre as principais novidades, estão a introdução de novas ligações expresso, que permitirão reduzir tempos de deslocação e aproximar diferentes zonas da ilha, além da criação da “Zona de Ponta Delgada”, que estabelece uma tarifa única independentemente do número de percursos utilizados dentro do concelho.
“O objetivo é claro: colocar o cidadão no centro da mobilidade, criando uma rede mais eficiente, acessível, moderna e próxima das pessoas”, disse.






















