A Casa do Tempo é uma “porta de entrada” para quem visita a ilha do Corvo, a mais pequena dos Açores, e desde que abriu as portas, em 2019, já recebeu mais de 14 mil pessoas.
O equipamento cultural, que pertence ao Ecomuseu do Corvo, está situado no centro histórico da vila e deve ser “o primeiro espaço a visitar” por todos aqueles que chegam à mais pequena ilha açoriana e querem conhecer a sua história e as suas tradições.
A Casa do Tempo ocupa um edifício datado dos séculos XVII/XVIII, que foi reabilitado e mantém a traça original. Funciona como uma “antecâmara do território, onde o visitante tem acesso a diferentes conteúdos”, segundo informação do Ecomuseu.
No seu interior é possível assistir a um vídeo de apresentação da ilha, “com imagens que procuram apelar à sua exploração”, apresenta um friso cronológico relativo aos tempos geológico e histórico da ilha do Corvo, possui computadores para consulta do arquivo fotográfico da ilha e para visualizar testemunhos de anciãos corvinos, sobre tradições como o dia da lã, a matança do porco e Nossa Senhora dos Milagres, entre outros.
O visitante pode também assistir a um mini-documentário “sobre o povoamento da ilha do Corvo e os primeiros 300 anos da sua História”.
“Temos documentação histórica daqui da ilha, temos informação em forma cronológica de acontecimentos históricos. Temos vários tipos de itens, arquivos fotográficos da vida do Corvo, entrevistas com pessoas aqui do Corvo. [É] todo o tipo dessa informação histórica da ilha que nós temos para oferecer”, descreveu à agência Lusa Sérgio Dutra, um jovem de 23 anos, que este verão foi voluntário e acompanhou os turistas que procuraram o espaço museológico.
E acrescentou: “Objetos também, como o nosso óculo do pirata Almeidinha, que é uma história aqui famosa do Corvo [que terá sido oferecido pelo pirata, que era natural da ilha de São Miguel, ao padre da vila para que não o confundisse com outros piratas] e a nossa barreta típica do Corvo.”
“Costumo dizer que este é um espaço para conhecer a ilha. É uma introdução à ilha para quem visita, para quem vem de fora, para terem uma pequena noção do espaço em que estão e o que podem ver no resto da sua visita aqui no Corvo”, disse.
A maior parte dos visitantes desloca-se ali por curiosidade, mas, segundo o jovem, se começarem a visita – que é gratuita -, pela Casa do Tempo, depois “veem o resto da ilha” e “vão ter uma perspetiva e uma noção completamente diferente e vão conseguir vê-la de outra forma”.
Fábio Carvalho, sacerdote e residente na ilha de São Miguel, que recentemente acompanhou um grupo de jovens numa deslocação à mais pequena ilha açoriana, evidenciou a importância do espaço para conhecimento do passado do Corvo e disse à Lusa que gostou muito do que viu.
“Costumamos dizer que a juventude é o nosso futuro, mas também é importante que a nossa juventude leve um pouco do nosso passado, porque é sempre a nossa história e uma ‘bagagem’ que também levam consigo. E para mim, também, claro, que é sempre bom aprender cada vez mais”, declarou.
Segundo o Ecomuseu do Corvo, que contabiliza as entradas na Casa do Tempo desde 2021, o espaço foi visitado desde aquele ano e até dezembro de 2025 por um total de 14.047 pessoas.
O pico de visitantes foi atingido em 2024 (3.103), seguindo-se por ordem decrescente, 2025 (3.004), 2023 (2.858), 2022 (2.701) e 2021 (2.381).
Além da Casa do Tempo (que funciona desde 2019), o Ecomuseu da mais pequena ilha açoriana possui também o Pavilhão Multiúsos (que acolhe exposições, cinema, teatro, palestras, congressos, seminários, colóquios, eventos musicais, dança e outros eventos socioculturais), a Atafona do Lourenço (um antigo moinho de cereais que era movido por um animal, testemunho da atividade cerealífera na ilha) e a Casa da Memória (que acolhe a exposição permanente “Ilha do Corvo – Marcas de um Passado”).
Por iniciativa do Ecomuseu do Corvo, foi inaugurada, em 27 de junho de 2024, a Casa da Vigia, onde existe uma maquete do núcleo urbano antigo da vila e onde se pode “contemplar a estrutura urbana, organizada sobre a falésia, subindo em cascata pela encosta do vulcão”.
A ilha do Corvo, situada no grupo Ocidental dos Açores, contabilizava 434 residentes em 2025, segundo dados de junho deste ano do Serviço Regional de Estatística.






















