Todos os anos, por ocasião da Festa do Avante!, muitos absurdos são ditos. Lembro-me de um, com vários anos, num jornal autointitulado de referência, sobre a deslocação de um palco fixo, construído em cimento, para disfarçar a redução de visitantes. Se alguém do jornal tivesse visitado a Festa, teria concluído que nem era possível mover o palco, nem havia redução de visitantes…

Este ano, teriam sido convidados terroristas. Curioso nome, terrorista, destinado à vítima que resiste e nunca aos agressores… Assim é há milhares de anos.

Para os Romanos, Cristo era terrorista. As tribos Lusas comandadas por Viriato eram bárbaras, porque combatiam e recusavam a escravatura. Para os nazis, terroristas eram os grupos armados que lhes resistiram, enfrentando o medo e a morte. Para o fascismo, terrorista era quem lutava pela liberdade e pela democracia. Para a Indonésia, a FRETILIN era terrorista. Para o apartheid sul-africano, Mandela era terrorista. Para Israel, Arafat era terrorista.

Quem tem o poder militar e económico, acha sempre que é o benfeitor. Nesta lógica retorcida, nunca é terrorista, mesmo quando bombardeia escolas e hospitais, invade outros países, mata crianças ou, pelas sanções económicas, impõe a fome e a miséria. Mas o mundo e a vida não funcionam assim.

Na Festa do Avante!, esteve uma maravilhosa marcha da Ribeira Seca de São Jorge, de homenagem a Rubina, filha da terra, professora comunista presa e torturada pela PIDE, que morreu na miséria, culpada de lutar pela felicidade de todos. Esteve a luta pelo desenvolvimento social dos Açores e, na intervenção do Secretário Geral, a crítica à privatização da SATA e ao estrangulamento económico e social da Região. Esteve a luta solidária para com quem foge da guerra ou resiste ao agressor. Esteve a luta pela Paz verdadeira. Estiveram pessoas que, não se conhecendo, sentavam-se lado a lado e, por instantes, foram livres e unidas como os dedos da mão.

Terroristas, há muitos por esse mundo fora. Naquele espaço, em 50 edições, só apareceram resistentes ao agressor. Estranhos terroristas, estes, que lutam diariamente pela felicidade de todos…

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