O primeiro presidente do Governo dos Açores, Mota Amaral, lembrou hoje o “entusiasmo dos primeiros tempos” da autonomia política da região e do exercício de funções, mas também abordou as dúvidas e os “medos iniciais”.
“Invocarei [na intervenção] o entusiasmo dos primeiros tempos e dos titulares dos cargos dos sucessivos governos da Região Autónoma dos Açores a que tive a honra de presidir durante as primeiras duas décadas, as fundamentais, em que se fixaram os termos da nossa autonomia Constitucional”, disse Mota Amaral.
O antigo governante social-democrata falava hoje em Ponta Delgada, no Palácio da Conceição, na ilha de São Miguel, na cerimónia comemorativa da tomada de posse do primeiro Governo Regional, que aconteceu há 50 anos, no dia 08 de setembro de 1976.
“Falarei das dúvidas e dos medos iniciais, das resistências encontradas ao mais alto nível do Estado e também entre nós, para sabotar os nossos propósitos de emancipação e de afirmação do povo açoriano”, salientou.
E prosseguiu: “Mencionarei e devidamente exaltarei os nomes dos que nos deram a mão, ajudaram a firmar os nossos créditos, compreenderam que o nosso projeto de autonomia total e completa era afinal destinado a valorizar Portugal, era aliás a solução portuguesa, europeia, atlântica para o problema dos Açores, que queríamos era ser Portugal aqui, como gente livre de uma terra também livre”.
No seu discurso, abordou ainda o tema da unidade, “tão cara e apreciada por todo o povo açoriano” que os adversários “procuraram enfraquecer, com querelas inúteis e desproporcionadas, ou adiando a resolução de problemas urgentes, praticando o velho princípio [de] dividir para reinar”.

“Tratarei da questão europeia, sim da nossa entrada na Europa, com a nossa realidade e personalidade próprias, da luta levada a efeito para sermos reconhecidos como parcela valiosa do ‘velho continente’, das nossas aportações ao conjunto europeu, que nunca nos coloca de joelhos perante os maiores e mais ricos do que nós, mas nos faz estar de pé, altivos, reclamando o lugar adequado à nossa condição insular e ultraperiférica”, afirmou.
Mota Amaral abordou depois a participação nas relações internacionais que têm garantido aos Açores “lugar à mesa das negociações luso-americanas ou luso francesas, auferindo daí vantagens financeiras concretas, tal como em âmbitos multilaterais, como os europeus ou os que envolvem o mar e o espaço”.
Na ocasião, o antigo presidente do executivo açoriano também recordou o grande terramoto de 01 de janeiro de 1980, apontando “as numerosas vítimas e os estragos então verificados”, bem como a onda de solidariedade que nasceu nos Açores e nas comunidades açorianas da América, em todo o país e no mundo inteiro, “ajudando-nos a reconstruir tudo com graça e em tempo rápido, porque secámos as lágrimas e arregaçámos as mangas logo a seguir”.
Falou depois do desenvolvimento lançado em todas as ilhas, “vencendo atrasos históricos, olhando antes de mais para as mais necessitadas, para aquelas que estavam de facto mais abandonadas pelos poderes públicos centralistas, das novas vias de comunicação abertas, dos portos e aeroportos iniciados, das escolas e hospitais planeados e construídos”.
E, ao deixar funções governativas, o também fundador do PSD/Açores e antigo presidente da Assembleia da República, disse que pediu “perdão por qualquer falta, ainda que involuntariamente cometida” e agradeceu àqueles que o aceitaram como líder e consigo colaboraram, no desempenho de funções públicas de variado nível, ou simplesmente votando em si e nas listas de candidatos que apoiou.
“Mas também [agradeço] àqueles que nunca me apoiaram e até me confrontaram e me zurziram, no parlamento regional e nos jornais, utilizando os recursos democráticos, com isso forçando a explicar-me melhor, ao mesmo tempo que deixavam constância da vitalidade das nossas instituições democráticas”, concluiu.
Na sessão, o Governo Regional dos Açores distinguiu, com a atribuição de medalhas, os membros que integraram o primeiro executivo liderado por Mota Amaral, que presidiu ao Governo da região entre 1976 e 1995.
O primeiro Governo dos Açores tomou posse há 50 anos, no dia 08 de setembro, no Palácio da Conceição, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, quatro dias depois da sessão inaugural da Assembleia Regional, a 04 de setembro de 1976, que resultou das eleições regionais de 27 de junho daquele ano.






















