O presidente do Governo dos Açores disse hoje que o arquipélago é uma “região de oportunidades” que oferece muito a Portugal e à Europa e 50 anos após a autonomia está “incomparavelmente mais desenvolvida”, qualificada e coesa.
“Esta é a região de oportunidades que queremos e devemos construir. Uma região que não se limite a reclamar o reconhecimento das suas circunstâncias, mas que saiba afirmar também o valor das suas capacidades”, afirmou José Manuel Bolieiro.
O líder do executivo regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM falava hoje em Ponta Delgada, no Palácio da Conceição, na ilha de São Miguel, na cerimónia comemorativa da tomada de posse do primeiro Governo Regional, que aconteceu há 50 anos, no dia 08 de setembro de 1976.
Segundo Boleiro, a Região Autónoma dos Açores “requer legitimamente que Portugal e a Europa reconheçam, em nome da coesão solidária, as suas limitações permanentes e as compense, mas igualmente uma região capaz de afirmar que os Açores oferecem muito, e de modo insubstituível, a Portugal e à Europa”.
“Oferecemos Atlântico. Oferecemos mar e acesso ao espaço orbital. Oferecemos conhecimento. Oferecemos ciência e laboratório para inovação. Oferecemos uma posição geoestratégica singular. E oferecemos um povo, nas nossas nove ilhas e espalhado pelo mundo, que multiplica a nossa dimensão demográfica e por isso de afirmação global”, elencou no seu discurso.

Na sessão onde o Governo Regional distinguiu, com a atribuição de medalhas, os membros que integraram o primeiro executivo, sob a liderança do social-democrata Mota Amaral, Bolieiro lembrou que há 50 anos Mota Amaral e a geração fundadora “receberam a responsabilidade extraordinária de começar” e a melhor homenagem que agora lhes pode ser prestada é acrescentar futuro à herança que deixaram.
“É ter, perante os desafios do nosso tempo, a mesma ambição transformadora que eles tiveram perante os desafios do seu tempo. As novas gerações de autonomistas têm de continuar a fundar, não as mesmas instituições, não com as mesmas respostas, mas sim, inovar com novas capacidades”, apontou.
À geração fundadora coube consolidar a autonomia política, sendo que à geração atual e às vindouras “cabe aprofundá-la através do conhecimento, da inovação e das oportunidades”.
“Fazer da nossa geografia uma centralidade. Do mar, conhecimento e prosperidade. Do espaço, ciência e tecnologia. Da sustentabilidade, uma vantagem. Do digital, um instrumento de aproximação. E das pessoas, sempre, a maior riqueza dos Açores”, desejou.
Também disse que a construção da autonomia é “obra de gerações”, de diferentes protagonistas e governos e de diferentes soluções políticas.
“Mas, de facto, a autonomia é património dos açorianos. Com um tempo fundador, no qual foi necessário lançar sementes, edificar estradas, portos e aeroportos, levar mais educação às crianças e jovens de todas as nossas ilhas, criar um Sistema Regional de Saúde, estruturar serviços essenciais onde antes quase nada existia, reforçar as ligações entre as ilhas e entre estas e o exterior”, enumerou.
O líder do executivo açoriano salientou também que a autonomia permitiu dar resposta a necessidades básicas que durante demasiado tempo tinham ficado por resolver e “abandonadas pelo centralismo e pelo desprezo dos centralistas”.
A região está hoje “incomparavelmente mais desenvolvida, mais qualificada, mais coesa, mais preparada, mais aberta ao país, à Europa e ao mundo”.

“É por isso que podemos dizer, com confiança, que a autonomia política valeu a pena. É um caso democrático de sucesso. Não porque tenha resolvido todos os problemas. […] Não porque o nosso percurso esteja concluído, mas porque demonstrou ser o melhor instrumento para os açorianos assumirem responsabilidade pelo seu desenvolvimento e adaptarem as políticas públicas à sua realidade”, afirmou.
Acrescentou que a autonomia política “aproximou a decisão das pessoas” e “criou uma consciência regional autonómica”.
“E pode dar, cada vez mais, aos açorianos a confiança na sua própria capacidade. Essa confiança é um dos maiores patrimónios destes 50 anos e dos anos vindouros”, disse.
No seu discurso, também referiu que a região é hoje de oportunidades e a sua geografia, que durante séculos foi interpretada como distância, “pode ser cada vez mais entendida como nova centralidade Atlântica”.
“Os Açores é que dão a Portugal a sua valiosa dimensão Atlântica e profundidade geoestratégica, reforçam a sua soberania e a sua presença marítima. E ainda dão à União Europeia uma fronteira ocidental avançada num espaço decisivo para a segurança e defesa, para as comunicações, para a ciência, para as novas economias e para as futuras relações transatlânticas”, apontou.
O primeiro Governo dos Açores, liderado pelo social-democrata Mota Amaral, tomou posse há 50 anos, no dia 08 de setembro, no Palácio da Conceição, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, quatro dias depois da sessão inaugural da Assembleia Regional, a 04 de setembro de 1976, que resultou das eleições regionais de 27 de junho daquele ano.






















