Galochas! Depois da chuva de hoje, amanhã são botas de cano, ou, como dizem no Continente, galochas, para andar no Nordeste. A primeira vez que me falaram em galochas no Continente, disse que não usávamos este calçado para caçar nos Açores. O meu interlocutor respondeu: “E eu a pensar que chovia nos Açores?” Para nós, nos Açores, as galochas era um calçado com base de madeira e com uma tira de couro para segurar os pés e, preferencialmente, usado pelas mulheres, presentemente muito utilizadas pelos nossos ranchos folclóricos.

Fundas! A primeira vez que fui aos Pombos-torcazes na Herdade de Palma (entre Setúbal e Alcácer do Sal), há dezenas de anos, o meu colega diz-me: “Gualter, não te esqueças da Funda.” Olhei para ele e disse para comigo: “Vamos aos Pombos de Funda?” Para nós, nos Açores, as Fundas eram as nossas “armas de caça” primitivas, constituídas por um pau de madeira em formato de Y, a que atavamos umas fitas de borracha das câmaras de ar dos peneus dos carros, presas nas extremidades a um retangulo de couro, onde colocavamos as pedras ou as esferas, e usávamos na caça aos pássaros e mesmo aos coelhos bravos. Depois é que soube que as ditas Fundas eram as capas (bolsas) em que transportavam as armas de caça. Naquele dia, pelo sim, pelo não, levei mesmo a minha Baikal (arma barata e eficiente; o dinheiro disponível na altura não dava para mais). O que também não sabia é que íamos caçar na periferia da tal Herdade de Palma, pois, na ocasião, era uma Coutada e só para sócios. Ficamos, então, por um terreno onde eram criados touros bravos, um risco que ainda hoje tenho na memória e que explicava a tão elevada concentração de Pombos e tão poucos caçadores (malucos). Depois do 25 de Abril, quando a Herdade de Palma passou ao terreno livre, regressei várias vezes à Herdade de Palma… Só observar aqueles milhares de Pombos-torcazes de arribação, em busca do bom tempo do sul da Europa e da bolota dos sobreiros, constituíam, para mim, um espetáculo único, bem como todo aquele ecossistema que encosta ao rio Sado. Mas esta da Funda foi engraçada… Um país com diferentes expressões para identificar a mesma coisa!!

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