Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA

Há muita erudição de pacotilha – superficialidades absorvidas na espuma das coisas e dos dias, sem estudo e consistência. E agora que as ferramentas de inteligência artificial se vulgarizam, crescem as aparências desta tribo pseudointelectual.

No campo político, vejo com frequência alusões a Maquiavel. Chegam mesmo a imputar-lhe o que nunca pensou nos seus piores dias. Se formos em busca da obra de Nicolau, dos seus fundamentos teóricos, então rapidamente percebemos a futilidade do conhecimento invocado pelos bem-falantes.

Vem isto a propósito de “Maquiavel em Democracia”. O livro tem precisamente vinte anos e fui impelido a retirá-lo da estante há dois dias, tomado pela notícia do falecimento de Edouard Balladur, o seu autor. Não foi a primeira vez que o fui buscar, para ler certas passagens, refletir sobre a mensagem e tirar ensinamentos para o tempo seguinte. Aprendo sempre. E fico sempre reconhecido ao Prof. Vasco Garcia que mo ofereceu, no longínquo fevereiro de 2009, com dedicatória (que por modéstia não reproduzo aqui).

Da imensa sabedoria partilhada pelo antigo governante francês não posso esquecer estas palavras: “mais vale estar rodeado de pessoas fortes e capazes do que cortesãos incompetentes e servis. É perigoso mas é mais proveitoso. De que serve fechar-se num gueto de medíocres muito fáceis de dominar mas impossíveis de utilizar? Que gozo dá? Que resultados se pode esperar?”

A lista de ensinamentos é longa e conclui com uma evidência, apesar de tantas vezes esquecida, a de que o fracasso dos políticos tem origem nas esperanças traídas.

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