O vice-presidente do executivo açoriano considerou hoje que a inauguração do equipamento de computação avançada e solução integrada de tecnologia quântica e emuladores – Quantum LabAzores, prova que os Açores estão “no centro do futuro” da inovação.

“E damos também hoje um passo histórico. Demonstramos que uma região autónoma e ultraperiférica pode tomar decisões tecnologicamente arrojadas e financeiramente responsáveis”, disse Artur Lima, na cerimónia de inauguração do Quantum LabAzores, no Nonagon – Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel, na Lagoa.

Segundo o número dois do Governo Regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM, o Quantum LabAzores “representa capacidade computacional” e também “capacidade humana”, que em breve será reforçada com cinco novas bolsas de doutoramento do Fundo Regional de Ciência e Tecnologia.

“Representa o investimento no talento nos nossos jovens, no dinamismo das nossas empresas e no rigor da nossa comunidade científica. Sim, estamos a apostar na nossa comunidade científica e na investigação. Hoje provamos que os Açores não estão na periferia da inovação. Os Açores estão naturalmente no centro do futuro”, disse.

Artur Lima referiu que o Governo Regional, que investiu 500 mil euros no projeto, que foi apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), não se limitou a instalar uma máquina.

“Estamos a dotar a nossa Universidade, as nossas empresas, os nossos jovens, os nossos investigadores, com as ferramentas da inteligência da ciência e da soberania digital tão importante hoje em dia. Por isso, é mais do que uma máquina. É um investimento em pessoas, fica à disposição da nossa Universidade, dos centros de investigação, das nossas empresas, dos nossos jovens, dos nossos investigadores”, afirmou.

O número dois do executivo dos Açores reforçou que o equipamento também representa “uma nova ambição” para a região.

“Inauguramos uma verdadeira infraestrutura de conhecimento, uma capacidade avançada que aproxima a nossa região das tecnologias de ponta que estão a transformar a ciência, a economia mundial e a própria forma como tomamos decisões públicas e empresariais”, vincou.

O investimento também significa que a condição insular e ultraperiférica não limita a capacidade de inovar, antes pelo contrário, obriga a “escolher com rigor, a pensar mais longe e a aplicar com inteligência máxima os recursos públicos” disponíveis.

Artur Lima acrescentou que o Quantum LabAzores nasce de uma visão de médio e longo prazo que cruza a digitalização, a inovação, e a internacionalização do conhecimento.

“Este projeto resulta de uma decisão estratégica consciente. Poderíamos ter seguido o caminho mais fácil e convencional, a aquisição de um pequeno supercomputador tradicional, mas isso em nada nos diferenciaria de tantas outras regiões que já exploram esses equipamentos com recursos incomparavelmente superiores aos nossos”, justificou.

Assumiu, ainda, que o investimento público de 500 mil euros, “não se mede apenas pelo tamanho ou peso de uma máquina, mede-se pela utilidade real que cria pelo conhecimento que gera e pelos problemas concretos que ajudará a resolver”.

“Escolhemos uma arquitetura mais especializada, mais ajustada à realidade dos Açores e orientada para o futuro. Uma solução inspirada em métodos quânticos, combinada com a computação de alta performance e software aberto”, prosseguiu.

E rematou: “Não estamos a inaugurar um computador quântico criogénico. Estamos a disponibilizar uma infraestrutura real, operacional, a temperatura ambiente, energeticamente eficiente e ecologicamente responsável, o que nos permite trabalhar hoje na preparação direta para o futuro da computação”.

Pedro Pinto, diretor-geral da FSAS Technologies – Fujitsu Company em Portugal, explicou aos jornalistas que o Quantum LabAzores está equipado com um supercomputador tradicional, emulação quântica e Digital Annealer (o primeiro instalado e Portugal).

A tecnologia Digital Annealer, com algoritmos quânticos, permite otimizar processos, que está disponível para bancos, fábricas ou empresas de aviação, entre outras.

“[As] companhias áreas que queiram otimizar toda a agenda da sua tripulação. Nós conseguimos poupanças de muitos milhões de euros por ano”, assegurou.

Pedro Pinto garantiu que em “tudo o que seja possível identificar as variáveis e perceber qual é a interação entre elas, é possível melhorar esse processo” com a utilização da tecnologia agora disponibilidade nos Açores.

O projeto foi concebido como um ecossistema aberto e colaborativo, unindo a Administração Pública Regional, a Universidade dos Açores, o Nonagon, o tecido empresarial e os investigadores.

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