Foto: DR | João Pinheiro, presidente da Associação do Alojamento Local dos Açores (ALA)

A Associação do Alojamento Local dos Açores (ALA) mostrou-se hoje preocupada com os resultados da atividade turística no mês de julho e pede uma “reflexão mais ampla” sobre o modelo de desenvolvimento turístico da região.

“Apesar da melhoria relativamente a junho, o Alojamento Local continua a perder dormidas e hóspedes em plena época alta, São Miguel e Terceira apresentam resultados negativos e os Açores continuam a divergir da evolução positiva registada a nível nacional”, alertou a ALA em comunicado.

Os Açores registaram, pelo décimo mês consecutivo, uma descida no número de dormidas em alojamentos turísticos, em julho, com uma quebra de 2,2% face ao período homólogo, segundo dados revelados hoje pelo Serviço Regional de Estatística (SREA).

Para a associação presidida por João Pinheiro, os resultados da atividade turística do mês passado constituem “mais um sinal de alerta”.

Com a aproximação da época baixa, aquela estrutura “considera urgente definir uma estratégia que permita recuperar capacidade aérea, reforçar a concorrência, melhorar a competitividade dos preços das viagens e continuar a diversificar os canais através dos quais os turistas chegam aos Açores”.

Os resultados agora conhecidos devem também “levar a uma reflexão mais ampla sobre o modelo de desenvolvimento turístico” para o arquipélago.

A associação reconhece a importância da hotelaria e da operação turística organizada para o destino e considera que ambas “devem continuar a crescer e a contribuir para o desenvolvimento do setor”.

Considera, ainda, que os Açores necessitam de um modelo diversificado, “onde coexistam companhias tradicionais e ‘low-cost’, operação turística e viajantes independentes, hotelaria, Alojamento Local e turismo rural”.

Uma maior diversidade “reduz a dependência de operadores, companhias ou mercados específicos, aumenta a capacidade de reação perante alterações externas e permite que os benefícios económicos do turismo sejam distribuídos por um universo mais alargado de empresas e famílias”.

Em julho, os Açores registaram 648,8 mil dormidas no conjunto dos estabelecimentos de alojamento turístico, menos 2,2% do que no mesmo mês de 2025, enquanto a nível nacional se verificou um crescimento de 2,1%.

No Alojamento Local, “apesar de julho apresentar uma melhoria relativamente à quebra de 8,9% registada em junho, os resultados continuam negativos”, refere, indicando que as dormidas diminuíram 4,5%, o número de hóspedes caiu 7,4% e a taxa de ocupação de camas recuou 2,7%.

“Nos primeiros sete meses do ano, o setor acumula já uma redução de 7,6% nas dormidas e de 9,2% no número de hóspedes”, aponta.

Segundo a ALA, enquanto o Alojamento Local registou uma quebra de 4,5% nos Açores, na Região Autónoma da Madeira cresceu 8,9%.

A associação tem vindo a alertar para as consequências da redução da operação da Ryanair (deixou de voar para a região no final de março deste ano) e considera que a atual situação exige uma avaliação objetiva da capacidade aérea efetivamente disponível para os Açores.

“Ao longo dos últimos meses tem sido destacado o número de companhias e de rotas que operam nos Açores durante o verão. Esse é naturalmente um indicador positivo, mas não é suficiente para avaliar a competitividade das nossas acessibilidades”, afirma.

Uma única companhia como a Ryanair “assegurava várias rotas, frequências e um volume muito significativo de lugares, exercendo, simultaneamente, uma forte pressão concorrencial sobre os preços das passagens”, recorda.

Nos primeiros sete meses do ano, os Açores somaram 2,5 milhões de dormidas em alojamentos turísticos (-3,7%) e 757,6 mil hóspedes (-3,5%).

Em julho, a região contabilizou 177,3 mil hóspedes (menos 4%), com uma estada média de 3,66 noites (mais 1,9%).

A redução homóloga de dormidas no arquipélago segue uma tendência contrária à verificada a nível nacional, já que o país cresceu, em média, 2,1% em julho e 1,5% no período entre janeiro e julho, segundo o relatório do SREA.

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