O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) foi desenhado em 2020 na sequência da pandemia de COVID-19, uma das maiores crises sanitárias, sociais e económicas das últimas décadas.
O seu objetivo era responder aos danos provocados, relançar a economia, reforçar os serviços públicos, apoiar os mais vulneráveis e preparar os Açores para um melhor futuro.
Portugal foi dos primeiros países a preparar uma resposta à crise de então, enquadrando investimentos e reformas capazes de criar oportunidades. Esse mérito deve ser reconhecido, porque o desenho inicial do PRR representou uma visão estratégica para o país, onde se inclui os Açores e Madeira.
Nos Açores e, em particular, na Graciosa, ilha marcada pela ultraperiferia, pela dupla insularidade e por outras limitações estruturais bem conhecidas, precisavam que o PRR fosse um instrumento de coesão, de justiça territorial e de melhoria concreta da vida das pessoas.
É por isso que saúdo investimentos como o novo TAC da Unidade de Saúde da Ilha Graciosa e a ampliação do Lar da Praia, cujo projeto foi apresentado em setembro de 2020 e depois integrado, e bem, no PRR.
São equipamentos e respostas importantes, que podem melhorar o acesso a cuidados de saúde, reduzir deslocações, apoiar os idosos e reforçar a capacidade social da ilha. Sempre que há investimento público destinado a melhorar a vida dos Graciosenses, esse investimento deve ser reconhecido e valorizado.
Mas reconhecer o que é positivo não significa fechar os olhos à fraca execução do PRR nesta ilha que está longe do desejável. Mesmo considerando que ainda falta uma semana para o seu fim, os dados apontam para uma execução de cerca de um quarto, sendo, neste momento, a mais baixa dos 19 concelhos da Região.
Esta diferença entre o desenho do PRR e a fraca execução na Graciosa é preocupante, ainda para mais quando se anuncia uma execução plena a nível regional.






















