Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA

Vão rareando oportunidades para atestar a máxima pedagógica de que o desporto é uma escola de virtudes, muito por via do capitalismo desportivo que impera nas grandes modalidades.

É o caso do futebol, sujeito a negócios extravagantes, por decoro na adjetivação. As grandes competições obedecem à lógica de uma verdadeira indústria milionária, onde se cruzam toda a sorte de interesses, de regimes políticos a grupos empresariais, passando pela televisão e outros agentes estranhos ao futebol propriamente dito. O recente caso do presidente da FIFA será apenas a ponta de um enorme iceberg, encoberto pelo proveito direto e dissimulado de muita gente.

A economia das transferências astronómicas é outra vertente deste puzzle indecifrável. E até a gestão dos plantéis se acomoda ao mando invisível dos chamados agentes desportivos, homens de negócios criados pelo circo dourado do futebol moderno.

Na devida escala, note-se, estas negociatas também vão chegando aos patamares competitivos inferiores, Batem-nos à porta.

Seja como for, ou talvez por isso mesmo, cada momento desportivo revelador de princípios e valores nobres deve ser devidamente elogiado. Para que outros o repitam.

Este domingo, no estádio de S. Miguel, a claque do Famalicão não chegava a 20 adeptos, incansáveis no apoio aos seus jogadores. Findo o jogo, e mesmo derrotados, atletas e equipa técnica dirigiram-se-lhes agradecendo o incentivo. Dentro do campo eram em maior número do que nas bancadas. Mas imperou a humildade e a gratidão. Ainda há virtudes no futebol.

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