Jorge Gonçalves, presidente da Federação das Pescas dos Açores

A Federação das Pescas dos Açores revelou hoje que recebeu com “muita apreensão” a decisão do Governo Regional de aumentar o preço do gasóleo a partir de setembro, temendo que contribua para a “machadada final” no setor.

O presidente da Federação das Pescas dos Açores, Jorge Gonçalves, disse hoje à agência Lusa que recebeu com “muito pessimismo” e com “muita apreensão”, o aumento de 16 cêntimos por litro no gasóleo, a partir do dia 01 de setembro, por considerar tratar-se de um “aumento enorme”.

“É uma situação complicada que o setor, neste momento, está a atravessar”, referiu, indicando que ao aumento dos combustíveis se junta “a falta do atum bonito na Região Autónoma dos Açores e também algum esgotamento de outras quotas de outras espécies a nível regional”.

Situações que “têm criado alguma dificuldade ao setor” que está, neste momento, “com uma situação difícil”.

Jorge Gonçalves adiantou que, pelas dificuldades já existentes na região, “algumas embarcações têm estado a parar”.

“Não lhe sei dizer quantas é que são neste momento, mas tenho recebido alguma informação de que há embarcações que têm estado a parar [a atividade] por falta de atum bonito no mar dos Açores. E, agora, com este aumento dos combustíveis, é a machadada final [no setor]”, vaticina.

Segundo o dirigente, os armadores açorianos “não têm muita margem de manobra para continuarem a gastar [verbas em] combustível, porque estão a hipotecar aquilo que foi alguma margem de lucro, alguma margem de manobra, que tiveram no início da temporada com a pesca dirigida ao atum”.

“E, neste momento, alguns armadores começam a dizer ‘nós não vamos estar aqui a hipotecar tudo aquilo que foi amealhado porque não é solução’, e estão a parar algumas embarcações. Não lhe posso confirmar neste momento quantas, mas sei que algumas estão a parar”, concluiu.

Ao Governo Regional dos Açores, o presidente da Federação das Pescas pede que reforce o diálogo com a República “para passar à prática aquilo que está acordado” em relação aos apoios definidos para o setor.

Os pescadores estão a aguardar o pagamento de apoios ao combustível, como ficou definido numa reunião realizada em março com a Direção Regional das Pescas.

Segundo Jorge Gonçalves, as duas entidades definiram uma fórmula de apoio ao combustível, que é “interessante” e que “poderá ajudar significativamente o setor”.

“O problema é que esta ajuda tarda em chegar e, cada vez mais, os armadores estão a sentir-se numa situação difícil, porque não têm fundo de maneio”, disse.

Depois de três meses consecutivos em que se registaram descidas, o preço dos combustíveis no arquipélago dos Açores volta a aumentar a partir de terça-feira, segundo um despacho publicado na quarta-feira em Jornal Oficial.

Entre junho e agosto, o preço da gasolina baixou 10,2 cêntimos por litro e o preço do gasóleo 28,2 cêntimos por litro, mas entre fevereiro e maio a gasolina tinha aumentado 32,3 cêntimos por litro e o gasóleo 53 cêntimos por litro.

A partir de 01 de setembro, o preço da gasolina sem chumbo I.O. 95 octanas é fixado em 1,854 euros por litro nos Açores, mais 3,5 cêntimos do que o cobrado em agosto.

Já o gasóleo rodoviário passa a custar 1,885 euros por litro, o que representa uma subida de 16,3 cêntimos por litro.

Também o preço do gasóleo colorido para a agricultura e para as pescas, definido noutro despacho, aumenta em setembro.

O gasóleo colorido e marcado consumido na agricultura passa a custar 1,585 euros por litro e o gasóleo colorido e marcado consumido na pesca 1,395 euros por litro.

Quanto ao gás butano, verifica uma subida de 4,6 cêntimos por quilo, após ter descido 52,3 cêntimos por quilo nos últimos três meses.

Os preços máximos dos produtos petrolíferos e energéticos nos Açores são “alterados no dia 01 de cada mês e nos montantes equivalentes à variação do valor do Preço Europa (PE) mensal”.

O aumento dos preços dos combustíveis acontece num contexto de forte tensão geopolítica no Médio Oriente e após o ataque dos Estados Unidos ao Irão, com os preços do petróleo pressionados pelo encerramento do estreito de Ormuz e pela volatilidade dos mercados internacionais.

 

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