O presidente da AHRESP considerou hoje que os Açores têm um “problema específico” com a acessibilidade aérea e o preço das viagens, alertando que os empresários estão sob “pressão” devido à quebra do turismo.

Em declarações à agência Lusa, o presidente Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Carlos Moura, que também lidera a direção regional da associação, considerou que o “principal problema” do turismo dos Açores está na “capacidade de acesso” porque não existe uma “crise da atratividade do destino”.

“Um dos principais fatores que explica esta evolução é muito claro: a conectividade aérea. No primeiro semestre de 2026, os Açores registaram uma redução de cerca de 10% no número de passageiros desembarcados. A saída da [companhia aérea] Ryanair retirou capacidade e concorrência ao mercado, com particular impacto nas ligações entre o arquipélago e o continente”, afirmou.

O presidente da AHRESP, que vai inaugurar hoje as novas instalações da associação em Ponta Delgada, destacou como “especialmente revelador” o “comportamento do mercado nacional” durante o primeiro semestre, já que as dormidas do mercado interno nos Açores diminuíram 8,3%, enquanto no conjunto do país cresceram 2,4%.

“Isto demonstra que a evolução dos Açores não pode ser explicada apenas pelo abrandamento geral da atividade turística: existe um problema específico relacionado com a acessibilidade, a disponibilidade de lugares e o preço das viagens”, reforçou.

Carlos Moura sublinhou a importância de “recuperar capacidade aérea, garantir preços competitivos, captar novas rotas e assegurar conectividade ao longo de todo o ano”, defendendo que a “promoção deve também ser articulada com os mercados que dispõem de acesso direto ao arquipélago”.

“Podemos ter um destino extraordinário e fazer uma excelente promoção, mas se não existirem lugares de avião em quantidade suficiente e a preços competitivos, essa procura dificilmente se transforma em turistas efetivamente presentes nas ilhas”, insistiu.

O líder da AHRESP lembrou que o turismo é uma “atividade que beneficia vários setores da economia” e alertou que as empresas de “alojamento turístico e da restauração nos Açores têm demonstrado grande resiliência, mas enfrentam uma pressão crescente”.

“No alojamento, à redução da procura juntam-se custos elevados e os encargos adicionais associados à insularidade. Na restauração, a situação é particularmente exigente, porque a redução do consumo ocorre ao mesmo tempo que continuam a aumentar significativamente os custos das matérias-primas e da operação”.

Carlos Moura realçou que a “instabilidade” no setor “não é exclusiva dos Açores”, já que “entre janeiro e maio de 2026 registaram-se mais 2.833 encerramentos do que aberturas de estabelecimentos de restauração” no país, mas considerou que o arquipélago enfrenta o “desafio adicional” da sazonalidade.

“Os Açores não precisam de criar procura do zero – essa procura existe e o destino tem condições para continuar a crescer em valor. O desafio é garantir que os turistas conseguem chegar às nove ilhas, em condições competitivas e ao longo de todo o ano”, salientou.

O também presidente da AHRESP nos Açores considerou que a nova delegação (localizada na Avenida Dom João III em Ponta Delgada) “não representa apenas uma mudança de instalações”, traduzindo “uma aposta clara na proximidade, no acompanhamento diário das empresas e numa representação mais forte”.

Na inauguração da nova delegação da AHRESP nos Açores vai ser apresentada a Rota Nacional das Cozinhas do Mar, iniciativa que distingue os estabelecimentos de restauração que “valorizam os produtos do mar e as tradições gastronómicas”.

 

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