O Instituto de Vulcanologia e Avaliação de Riscos (IVAR) assinala hoje uma década como unidade de investigação da Universidade dos Açores, com contributo estratégico na investigação, formação de novos investigadores e ligação entre a ciência e sociedade.
O IVAR, na sua atual configuração, derivou do Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos (CVARG), constituído estatutariamente em 1997, e resultou do sonho de sete investigadores do Departamento de Geociências em implementar nos Açores um centro para o estudo de fenómenos vulcânicos e outros riscos geológicos.
Para a diretora do IVAR, Fátima Viveiros, a existência de uma estrutura científica própria no arquipélago, com recursos humanos e capacidade de resposta no terreno, é “fulcral”, numa região como os Açores, com “vulcanismo ativo” e cuja “última erupção vulcânica terminou em 2001, ao largo da ilha Terceira, há 25 anos”.
Em declarações à agência Lusa, Fátima Viveiros salientou que “existem atualmente cerca de duas dezenas de sistemas vulcânicos ativos” na região.
“A probabilidade de uma nova erupção é elevada e temos que ir acompanhando para ter uma resposta adequada perante uma nova reativação”, assinalou.
Movimentos de vertente, desgaseificação e sismicidade são também fenómenos estudados pelo IVAR e que, segundo Fátima Viveiros, fazem parte da realidade quotidiana e da história dos Açores.
“Ter uma entidade nos Açores que faça o estudo destes fenómenos e auxilie a compreendê-los e auxilie numa resposta para as autoridades é, sem dúvida, uma mais-valia”, considerou a responsável, salientando que “os vulcanólogos são os médicos da terra”.
Segundo a investigadora, “não conseguimos imaginar estar nos Açores sem um instituto como o IVAR, que faça essa monitorização, esse acompanhamento juntamente com o CIVISA [Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores], e que faça compreender esses fenómenos geológicos”.
Além da monitorização dos perigos naturais, a atividade do instituto estende-se ao ordenamento do território, ao apoio científico às decisões governamentais, à qualidade ambiental e à avaliação dos potenciais impactos de alguns produtos na saúde, indicou.
Ao longo da última década, o IVAR consolidou a produção científica e reforçou a ligação entre investigação e sociedade, tendo recebido avaliações internacionais que reconheceram a excelência dos trabalhos desenvolvidos no domínio das Ciências da Terra.
O instituto conta com sete unidades científicas complementares dedicadas à Vulcanologia Física e Magmatismo, Neotectónica e Deformação Crustal, Geoquímica de Gases, Hidrogeologia e Geologia Ambiental, Movimentos de Vertente e Cheias, Geologia Médica e Riscos e Planeamento de Emergência.
Com cerca de 70 elementos associados essencialmente à Universidade dos Açores, à Fundação Gaspar Frutuoso e ao CIVISA, o IVAR integra redes e consórcios nacionais e internacionais e mantém relações institucionais com centros internacionais ligados ao estudo das Ciências da Terra.
A formação de novos quadros constitui igualmente uma das áreas de intervenção do IVAR, assim como a programação de estágios, promovendo várias iniciativas como a “Noite Europeia dos Vulcões”, que decorre anualmente.
Fátima Viveiros salientou, ainda, que a aproximação à sociedade é outra das prioridades do instituto, em parceria com o CIVISA, vincando que “um cidadão informado estará mais preparado para uma melhor resposta num cenário de crise”.
Como desafios futuros, a responsável defendeu a necessidade de reforçar os recursos humanos e de garantir condições de financiamento que permitam planear a investigação a longo prazo, apontando, ainda, a necessidade de acompanhar o desenvolvimento tecnológico.






















