O presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, defendeu hoje, um modelo de financiamento dos bombeiros dos Açores que seja “estável, duradouro, previsível e sustentável”, com responsabilidades partilhadas entre o Governo Regional e os municípios.
A posição foi assumida pelo autarca durante a cerimónia do 147.º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, onde destacou o reforço do apoio financeiro municipal à corporação, que este ano aumentou 25%, passando para 250 mil euros anuais.
Segundo Pedro Nascimento Cabral, o apoio da autarquia, que era de 145 mil euros em 2020 e passou para 200 mil euros em 2023, representa uma opção de investimento na segurança da população e na capacidade de resposta dos bombeiros.
O presidente da Câmara defendeu, contudo, que o esforço dos municípios não deve substituir as responsabilidades do Governo dos Açores no financiamento e organização do sistema regional de proteção civil.
“Os municípios têm de colaborar” e “criar condições para reforçar a capacidade operacional” dos bombeiros, afirmou, ressalvando que não devem assumir competências que cabem à administração regional.
Na cerimónia, e na sequência da intervenção do presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, Rui Andrade, que representava o presidente do Governo Regional, Pedro Nascimento Cabral rejeitou uma transferência de responsabilidades para os municípios e apelou a uma solução conjunta.
Para o autarca, Governo Regional e municípios devem trabalhar num quadro de cooperação que permita assegurar às corporações os meios necessários para responder às situações de emergência e salvaguardar vidas.
Pedro Nascimento Cabral defendeu ainda a realização de um diálogo alargado entre o Governo Regional, autarquias, sindicatos e Federação de Bombeiros dos Açores, com o objetivo de encontrar um modelo de financiamento adequado às necessidades das corporações.
“Valorizar os bombeiros não pode limitar-se ao mero discurso”, sustentou, defendendo que esse reconhecimento deve traduzir-se em políticas públicas e num quadro financeiro que ofereça segurança e previsibilidade às instituições.
O presidente da Câmara de Ponta Delgada destacou também a evolução das missões desempenhadas pelos bombeiros, que abrangem atualmente áreas como a emergência pré-hospitalar, acidentes, operações de busca e salvamento, fenómenos meteorológicos extremos e resposta a situações de catástrofe.
Nesse contexto, classificou a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada como uma estrutura estratégica para o concelho e para a Região, considerando que o investimento nas corporações constitui também um investimento na segurança e na resiliência das comunidades.
A cerimónia dos 147 anos da associação contou, entre outros, com o presidente da direção da instituição, João Paulo Medeiros, o presidente da Federação de Bombeiros dos Açores, Braia Ferreira, e o presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, Rui Andrade.
No final, Pedro Nascimento Cabral deixou uma palavra de reconhecimento aos bombeiros, dirigentes, comandantes, funcionários, associados e benfeitores da instituição, sublinhando que os 147 anos de atividade representam não apenas uma história de serviço à população, mas também um compromisso com o futuro.

























