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Nada tenho contra as novelas. Não vejo muitas, mas sei que podem ser uma boa forma de distrair da dureza do dia a dia e de abordar assuntos difíceis, sobretudo quando são de boa qualidade. Infelizmente, o governo da República parece apostado em novelas sem fim e, pior que isso, de muito má qualidade.

Na semana passada, o ministro da Administração Interna defendeu que, num ato de boa gestão proposto por um colega da sua confiança, uma autocaravana apreendida pela PJ fora entregue a um amigo seu. Esta e as outras explicações mostraram, no mínimo, uma ligeireza e um facilitismo altamente desaconselháveis, nas funções que exerceu e que exerce. Os documentos que ia mostrar, mas que não mostrou, vão arrastar a novela.

Entretanto, estamos no meio da novela sem fim dos exames digitais, perdão, exames nacionais. O governo parece apostado em demonstrar ser possível um mundo em que os professores são secundários, ou mesmo dispensáveis, para a educação e o ensino. Já se percebeu que imporá, à força, este processo de classificação, mesmo que seja muito mais caro, mais burocrático, que produza mais erros e que exija mais recursos humanos.

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Temos a novela da SPINUNVIVA e das casas construídas com favores inacessíveis – e bem, porque o problema é esta exceção – a qualquer outro cidadão.

Temos a da privatização da TAP. Adivinham-se novos episódios, depois do anterior desastre, do consequente rombo nas contas públicas e da inovadora compra de uma empresa pública com recurso aos bens dela própria.

A da saúde ia durar somente 60 dias. Infelizmente, não informaram os doentes de que isso apenas significava que o governo ia entregar mais uns quantos milhões aos grandes grupos privados.

Temos ainda a da entrega das reformas aos fundos privados de pensões – com tudo o que isso implicará de riscos no seu pagamento.

Contudo, mais importante do que olhar para os episódios sem fim de má qualidade, é lembrar a exceção. Há um ano, iniciou-se a luta que derrotou o pacote laboral. Ficaram à vista as forças e vontades necessárias para que se construa uma História nova, em que os interesses da maioria sejam o elemento central…

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