Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA
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Regresso à Terceira, como em tantos agostos da minha vida, e assalta-me a memória a primeira vez que aqui desembarquei – há 50 anos, ainda a Autonomia era só letra na Constituição e raras vezes as ilhas se visitavam umas às outras.

O velhinho “Ponta Delgada” atracou bem cedo, oito horas depois da partida, e logo desemboquei no Pátio da Alfândega para o pequeno-almoço, ali no começo da Rua Direita. Cada vez que sinto o cheiro a pão quente e café com leite é essa memória que toma primazia. Depois, em passos largos, a Praça Velha, a rua da Sé e o Alto das Covas fizeram-se destino, breve, porque a viagem continuava em direção à Graciosa, S. Jorge e por aí a diante. Ainda assim, a tempo de absorver a imponência do casario, a majestosidade da catedral, os alfenins no “Athanasio”, a azáfama das primeiras horas do dia no centro da urbe centenária.

Voltei uma e outra vez, seguramente mais de uma centena e meia, como saltador em altura, futebolista nas seleções de S. Miguel e jogador do Santa Clara, para bailhar o folclore micaelense, feito aluno de um curso de treinadores de atletismo, como jornalista ou docente convidado da Universidade, lecionando na Terra-Chã, depois governante e mais tarde deputado, e também em lazer para retemperar forças.

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Entre tantos momentos retenho aquele que assinalou os 10 anos da reconstrução do sismo de 1980 – a voz embargada e os olhos lacrimejantes do doutor Mota Amaral.

E continuo a vir, a admirar e a descobrir, coisas singelas e tradições – da mesa ao quinto touro – subindo e descendo a rua da Sé, deambulando pelo jardim da Memória…

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