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As datas redondas são úteis para comemorar os acontecimentos que mais valorizamos, mas também devem ser aproveitadas para olhar para o passado. Mesmo quando desse olhar possam resultar conclusões menos agradáveis.

Estamos a assinalar os 50 anos da Autonomia Regional reconhecida na Constituição de Abril e em breve iremos comemorar os 600 anos da descoberta destas ilhas. É boa altura para comemorar, ao mesmo tempo que perspetivamos o futuro coletivo que desejamos.

A Autonomia permitiu romper com uma política em que o poder central ignorava a vontade do povo Açoriano. A política económica era imposta ignorando a realidade e as necessidades do arquipélago. Analfabetismo, pobreza, falta de oportunidades, censura e ausência de liberdades fundamentais marcaram a vida de gerações. Tal como vastas regiões do país, os Açorianos estavam quase votados ao esquecimento – apenas interrompido quando faltaram efetivos militares para uma guerra colonial que deixou centenas de milhar de profundas feridas e de futuros interrompidos.

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Nos últimos 50 anos, construímos, sem dúvida, uma Região melhor. Isso é inseparável do vínculo essencial entre a Autonomia e a Constituição de Abril, que reconheceu como sendo nosso o direito à saúde, à educação, ao trabalho com direitos, à proteção social, à cultura e ao desporto. Reconheceu o direito às crianças de serem crianças!

Contudo, 50 anos depois, a Autonomia continua por cumprir em pleno. O poder executivo regional preferiu sempre a divisão e a dependência do exterior, convencido que estariam aí as condições para a sua sobrevivência política.

Se lições a tirar destes 600 anos é que unidos somos mais fortes e que devemos evitar a excessiva dependência de apenas um setor económico. Não há caminho do desenvolvimento enquanto nos tentarem dividir e enquanto não investirmos, decididamente, na valorização e na diversificação da nossa produção regional. Nos 50 anos da Autonomia e nos 600 da descoberta dos Açores, essas talvez sejam as conclusões mais importantes – e urgentes – a tirar.

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