Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA
PUB

Quem passou anos no governo a contemplar problemas, a estudar soluções, a criar grupos de trabalho, comissões de acompanhamento e a fazer promessas a esmo, agora na oposição, descobriu subitamente o relógio.

De um dia para o outro, tudo está atrasado. Tudo devia estar feito ontem. E aquilo que não avançou durante os seus anos de governação transforma-se, por milagre político, numa urgência regional.

Veja-se a nova esquadra da PSP da Ribeira Grande, a descontaminação dos terrenos da Praia da Vitória, o renovado parque eólico de Santa Maria, tudo transformado em prioridade absoluta no instante em que mudou a cor do governo.

PUB

Mas o prémio da criatividade vai para o caso da ressonância magnética do Hospital da Horta. Um equipamento que já realizou quase três centenas de exames, ajudando centenas de faialenses a evitar deslocações e a obter diagnósticos mais rápidos. Para qualquer cidadão normal, isso significaria que o aparelho está a cumprir a sua função. Para alguns, porém, a conclusão é precisamente a oposta: a ressonância ainda não está a cumprir a sua função. É uma lógica admirável. Um equipamento trabalha, produz resultados e presta cuidados de saúde, mas para os socialistas continua a não funcionar.

No fundo, querem insinuar que tudo o que não foi feito quando governavam é culpa de quem governa agora.

A questão não é negar falhas atuais, que existem e devem ser escrutinadas, mas recusar a ficção de que a pressa recém-descoberta compensa anos de inação. A verdadeira urgência não é a de quem grita mais alto, é a de quem faz e melhor.

PUB